No seu ensaio intitulado «Why I Am Not An Environmentalist: The Science of Economics Versus the Religion of Ecology» (Por Que Razão Não Sou Ambientalista? A ciência da economia contra a religião da ecologia), o economista Steven E. Landsburg (professor de Economia na Universidade de Rochester de Nova Iorque), faz um ataque forte e extraordinário ao que designa por «Ambientalismo Ideológico», que nos tempos modernos é uma nova forma de extremismo religioso, com um catecismo invasivo e intimador. Steven E. Landsburg, considera que os ambientalistas apresentam as suas teorias como uma batalha entre o bem e o mal. Não procuram melhorar o nosso bem-estar, mas sim salvar as nossas almas. O ambientalismo estende-se para além da ciência, ao transformar questões de preferência em questões de moralidade. A táctica mais repreensível dos extremistas ambientais é apresentar qualquer contestação da sua ortodoxia como uma guerra entre os bons e os maus. Retratam os poluidores como uns seres malvados que poluem por poluir, e não porque a poluição é um subproduto necessário a alguma actividade útil. Em muitos, partem do pressuposto de que são moralmente superiores e concluem que podem, portanto, divulgar propaganda intelectualmente desonesta, pois essa propaganda serve o propósito superior de converter mais pessoas para a causa. A arma habitual é o ataque de carácter dos seus oponentes.
Este ensaio veio-me à memória quando se analisa o discurso político em relação à candidatura do Dr. Luís Filipe Menezes à câmara do Porto, por parte dos seus principais oponentes. Em primeiro lugar, convém esclarecer já quem, do nosso ponto de vista, são os principais adversários de Luís Filipe Menezes. Eles são o actual presidente da câmara do Porto (Dr. Rui Rio), o CDS-PP na pessoa do seu presidente (Dr. Paulo Portas), e, numa dimensão bastante diferente o Dr. Rui Moreira. Pode ser estranho não se incluir o candidato do PS, Dr. Manuel Pizarro, mas o facto é que o Dr. Manuel Pizarro, está quedo e mudo à espera que o poder lhe cai no colo. Espera que o efeito penalizador do PSD decorrente da governação do país e o surgimento de duas candidaturas no centro-direita, façam dele o homem que está no sítio certo no momento certo. Não é o primeiro caso assim, e, seguramente não será o último.
Voltando aos adversários de Luís Filipe Menezes, a postura e o discurso é todo idêntico ao dos ambientalistas fundamentalistas. A sua postura de superioridade, o seu discurso de que eles estão do lado do bem, enquanto Luís Filipe Menezes está do lado do mal, é absolutamente constrangedor. Não interessa o percurso político de Luís Filipe Menezes, não interessa a sua obra no concelho de Gaia, não interessa as suas ideias e projectos para a cidade do Porto, não interessa a sua capacidade de liderança de equipas, não interessa ser um homem que «faz coisas» em vez de fazer retórica sem conteúdo, não interessa ser um dos políticos mais experientes e conhecedores e com grande capacidade de construir consensos entre as várias partes interessadas. Não, nada disso interessa. Estes “fundamentalistas anti-Menezes” consideram que é sua missão libertar o país e o concelho do Porto de Luís Filipe Menezes, pelo que usam todos os meios e formas para o afastar. No fundo, seguem a velha máxima de Maquiavel «os fins justificam os meios».
Felizmente, vivemos numa democracia, e, da mesma forma que têm liberdade de tudo dizerem e fazerem (e, que fique bem claro, devem ter essa liberdade), a restante população também terá a sua oportunidade de revelar as suas preferências. É no uso dessa liberdade que nos parece oportuno fazer algumas notas sobre os adversários de Luís Filipe Menezes.
Começando pelo principal, e mais proeminente, o actual presidente da câmara do Porto. É um político com uma grande obra, que indiscutivelmente fez três bons mandatos, embora com uma clara perda à medida que o tempo foi decorrendo. É um político que pensa o país, que tem ideias muitas claras sobre o que devia ser feito, e com uma grande capacidade comunicacional e de liderança. Tivesse o país sido governado por Rui Rio e, provavelmente, não teríamos chegado à situação de bancarrota. Tudo isto conta a seu favor. Mas, se pensarmos que é militante do partido que lidera o governo do país, mas que tudo faz para que o Presidente da República lidere um golpe palaciano que o faça chegar a primeiro-ministro, sem nunca ter tido a coragem de ir a votos dentro do partido, e sem querer ir a votos em eleições nacionais, temos de concluir que a suposta superioridade moral/ética também tem os seus “telhados de vidos”.
O presidente do partido que teoricamente está coligado com o PSD no governo do país é o líder político há mais anos em actividade (chegou à liderança do CDS em 1998, 15 anos). Durante três anos foi Ministro da Defesa. Nos últimos dois anos é Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros. Portanto, é alguém com uma vasta experiência e curriculum. Mas se perguntarmos às pessoas qual principal marca de Paulo Portas, acho que a grande maioria dirá que foi o homem responsável pela compra de dois submarinos. Não digo isto, por causa dos potenciais ilícitos criminais que estarão em causa nesse negócio (não tenho o mínimo de conhecimento para afirmar que as notícias que periodicamente aparecem tem ou não qualquer fundamento). Digo isto, porque sendo Paulo Portas uma pessoa que tanto preza a postura de estado, que vive para a política, que é um leitor confesso de biografias históricas, um grande admirador de grandes políticos como Winston Churcill ou Charles Gaulle, deverá sentir uma grande frustração interior quando sabe que ficará conhecido por ter sido o comprador de dois submarinos (utilizando uma expressão sua, isso não dá direito a uma nota de pé de página nos livros de história). Poderão dizer que ainda está a tempo de deixar a sua marca na história de Portugal, pelo que ainda é cedo para fazer um balanço definitivo da sua pessoa (pelo menos nos próximos dois anos, deve continuar como Ministro dos Negócios Estrangeiros). Pode acontecer, é verdade. Mas julgo ser mais provável, que a sua principal acção seja contribuir para o fim de mais uma coligação com o PSD (será a terceira. Primeira com Marcelo Rebelo de Sousa, e a segunda com Pedro Santana Lopes). Temos que convir, para quem supostamente representa o bem, tem uns “grandes pés de barro”.
Finalmente, o Dr. Rui Moreira. A primeira nota a fazer é que queria ser candidato, independentemente do Partido que o apoiasse. Desconfio que se o PCP e/ou BE dessem o seu apoio, que não recusaria. Segundo, é uma candidatura do contra, neste caso contra Luís Filipe Menezes. Em política ser contra é uma opção, mas ninguém ganha nem mobiliza os eleitores se não apresentar um projecto pela positiva. Ser contra é sempre redutor e inconsequente. Ser contra em política, leva um rápido esgotamento da base de apoio. A terceira nota, é o facto de ter aceitado ser o cabeça de cartaz numa “guerra” que tem como base uma antipatia pessoal de Rui Rio e Paulo Portas com Luís Filipe Menezes. Cada um aceita os papeis que quer desempenhar na vida, e se alguém se sente confortável em ser o “instrumento” de outros, é algo que só essa pessoa pode responder perante a sua consciência. Por isso, em boa verdade, será um fundamentalista mais por conveniência, do que por convicção. Contudo, o facto se ser a “criatura”, enquanto Rui e Rio e Paulo Porta são os “criadores”, embora diminua as suas responsabilidades políticas neste processo, não as elimina.
Luís Filipe Menezes, como todos nós, tem as suas qualidades e seus os defeitos. Faz coisas bem-feitas, e fará outras menos bem conseguidas. Todos conhecemos o seu percurso, as suas ideias e projectos, bem como a sua forma de actuar. Na actual conjuntura, é muito bom saber que o Porto pode contar com a disponibilidade de um político com tanta experiência e conhecimento, um político que consegue encontrar soluções equilibradas para os inúmeros problemas e dificuldades que o concelho e a população do Porto enfrentam (à semelhança do resto do País). É particularmente nestes maus momentos que mais necessitamos dos melhores, e, Luís Filipe Menezes é, indiscutivelmente, um deles.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
quinta-feira, 21 de março de 2013
Luis Filipe Menezes sobre a Lei de Limitação de Mandatos - 21-03-2013
Caro amigo,
A decisão do tribunal cível de Lisboa não altera, em nada, a polémica pública sobre a limitação de mandatos autárquicos.
Aliás, em quatro processos, três tiveram decisões diferenciadas. Em Loures, o tribunal recusou a providência, em Lisboa aceitou-a e decidiu (irregularmente?) contra a candidatura de Fernando Seara e em Tavira marcou para 2 de Abril um julgamento sobre o processo! No Porto ainda não houve decisão.
No entanto, qualquer destas decisões, incluindo a desconhecida do Porto, não alteram um quadro geral.
Os pais da lei, socialistas e social democratas, a maioria dos constitucionalistas de referêcia, e a CNE, já se manifestaram favoráveis a uma estrita leitura territorial da delimitação dos mandatos.
Por outro lado, as decisões agora em curso, nos tribunais cíveis, por mais respeito que nos devam merecer, não decidem nada de vinculativo e decisivo, sendo desfavoráveis ou favoráveis, já que, em toda e qualquer circunstância, a decisão definitiva e final será, sempre, do Douto Tribunal Constitucional.
Estes entretantos podem fazer as delícias de alguma comunicação publicada e televisionada, mas nada tem a ver com o desfecho político e jurídico da questão.
Até lá a nossa posição é a de continuarmos a acreditar, sem vacilacões, na fortíssima convicção que temos razão, respeitando todas as decisões judiciais, mas acreditando na imposição final do sentido de justiça independente e competente do Estado de Direito Democrático.
Um abraço.
Luís Filipe Menezes
segunda-feira, 18 de março de 2013
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Caras (os) Companheiras (os),
Abraço amigo,
Luis Artur
Faço votos de um Santo Natal, na companhia dos vossos familiares e amigos e que 2013, apesar de todas as dificuldades seja para todos um ano repleto de realizações pessoais e muitos sucessos.
O próximo ano, fruto da difícil situação económica, financeira e social do país, vai exigir de todos nós, ainda mais empenho e solidariedade, porque acreditamos que o reformismo social democrata, tem por base a crença no futuro do homem e da sociedade e assim porque depende de cada um de nós, devemos contribuir para o encontrar das soluções que garantam o equilíbrio justo da sociedade e se alcance a essência da dignidade humana.
Neste Natal de 2012, em que muitas famílias sentem o drama do desemprego, deve ser maior ainda o nosso pensamento solidário e a vontade de ajudarmos com as nossas reflexões, a construir ideias e propostas, sempre tendo como orientação a Pessoa.
O ano de 2013, vai marcar também um novo desígnio para o Porto e para a Região. Estou certo que com o empenho de Todos, vamos ganhar as eleições autárquicas no Porto e com Luis Filipe Menezes construir um futuro de esperança e de afirmação política.
Renovo os votos de um Santo Natal e um 2013 repleto de sucessos.
Luis Artur
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Mensagem a Jorge Moreira da Silva
Estimado
Jorge M da Silva
Sou o Vieira da Cunha, conversamos brevemente no Porto, na apresentação das Secções Temáticas do PSD/Porto e tive oportunidade de lhe dizer que estamos, politicamente a desperdiçar uma oportunidade única de nos apresentaremos ao País como autênticos Reformadores Sociais-democratas em vez de andarmos a reboque de soluções Financeiras que não tem nenhum impacto na Economia real.
Infelizmente a nossa breve conversa foi premonitória em relação ao que aconteceu a seguir e gerou esta onda de incompreensão de uns e de oportunismo saloio de outros, que estamos a ter dificuldade em denunciar e que nos colocou á "defesa" numa situação politicamente difícil e o que é certo é que ainda estamos a tempo de voltar a estar por cima.
De acordo com a nossa conversa a minha Tese é a de que o Tecido Empresarial PME, predominante em Portugal, em largos e diversificados Sectores da Economia, não está
dimensionado e organizado para viver na Economia Global a que as" generosas" Politicas Aduaneiras da Comissão Europeia ,comprometeram mais, condenando a competitividade do nosso aparelho produtivo, abrindo as nossas fronteiras sem cuidarem de:
- Garantirem Politicas de Reciprocidade Aduaneira com os Países beneficiários da n/ abertura fiscal/baixos ou nulos impostos á importação;
- Não taxarem o "Deficit Social" de que são portadores os produtos que importamos, produzidos por trabalhadores sem Direitos Sociais ou mão-de-obra infantil;
- Não taxarem o Deficit de Proteção Ambiental de que são portadores muitos produtos que importamos e que á nossa industria custam milhões;
- Não adotarem uma atitude mais firme de reclamação contra o Dumping Cambiário praticado por muitos dos que "engordam" assim a sua Balança Comercial.
Corrigir isto, viabilizaria muitas das nossas Industrias que tem Milhões de € em Equipamentos parados por falta de competitividade, ou por concorrência desleal desses Países.
E não se diga que isto é" protecionismo"!", etc. , como dizem os neoliberais que tem pouco de Sociais Democratas e que não veem com sentido de justiça estes desequilíbrios induzidos por uma globalização aceite por uma Europa ingénua.
Que vejam as Tarifas Aduaneiras dos EE UU, do Brasil, da China e verifiquem como esses e outros se protegem apesar de apregoarem que estamos numa "Economia de Mercado".
Dito isto, que nos levaria longe, mas que é um importante Trunfo Politico que poderíamos, no PSD, estar a manejar quero ainda referir-lhe o outro lado da questão do desemprego e da "responsabilidade?" do Governo em resolvê-lo sozinho, como muitos nos exigem e nós , também aceitamos ser nossa responsabilidade, sem pedir contas aqueles que sim fecham Empresas, muitas vezes de forma fraudulenta, fracassam por má Gestão ou por irresponsabilidade, mandando para o desemprego, ou para que o Estado pague subsídios, milhares de Trabalhadores e Empregados que, em Empresas geridas com mais rigor, poderiam estar a trabalhar.
Esta é a questão! Não temos um" Tecido" Empresarial suficientemente qualificado para viver e gerir nestes tempos de incerteza e de Economia Global, agravada pelo que antes referi.
Temos ainda muitos "Patrões", principalmente naqueles Setores da Economia de Manufatura que empregavam grande quantidade de Trabalhadores, e uma minoria de Empresários competentes, na Gestão das suas Empresas.
É o Governo que cria Emprego? Vamos aceitar esse discurso "Socrático" dos 150 000, que acabou por compromete-lo ou vamos pedir responsabilidades ás Associações Patronais e perguntar-lhes que querem fazer para melhorar a qualidade da Gestão Empresarial, para que as Empresas tenham êxito e não fracassem por má gestão, como tem acontecido em muitos setores da nossa Economia, principalmente naqueles que empregam mão de obra intensiva.
O problema das Empresas não é so falta de Capital, é também falta de Quadros Profissionais portadores de novas formas de trabalhar e de inovar comercialmente
Os nossos Empresários tradicionais são indivíduos muito orientados "ao produto" e muito pouco "orientados ao mercado".
Trabalhamos anos seguidos a produzir grandes marcas de roupa para o mundo e não temos uma Marca de roupa/Fatos de homem por exemplo, com prestígio internacional e além disso estamos, nesse setor, falidos por falta de Clientes, que poderíamos continuar a ter se soubéssemos trabalhar comercialmente.
Então até os Empresários não querem a redução da TSU? muito bem ,vamos então lançar um Programa Nacional de Requalificação e de Reconhecimento de qualidade na Organização e Gestão das Empresas, particularmente nos setores de bens transacionáveis e a quem qualifique e só a esses, vamos dar incentivos fiscais, canalizar para eles os jovens licenciados do Programa recentemente lançado pelo Secretario de Estado dos Assuntos Sociais, de Emprego de jovens Licenciados nas Empresas, mas exigir que sejam aproveitados nas suas competências, envolver o IAPMEI na Classificação e Homologação da Qualidade Organizacional das Empresas, com a Colaboração das Faculdades de Economia e Gestão, definir os Modelos Organizacionais desejáveis para cada setor da economia enfim, por o Pais/Empresarial a mexer e perguntar ás Associações Empresariais porque são tão apáticas e não se auto-organizam para melhorar a qualidade organizacional dos seus membros?
Só assim é que calamos os demagogos que estão sempre a falar e a pedir "desenvolvimento económico" mas não tem uma “puta ideia” de como isso se faz!
Jorge Moreira da Silva! Vocês aí em cima não são obrigados a verem o País assim, mas o que lhe digo, sumariamente, é a verdade, e isto é dito por um homem com sensibilidade e discurso político próprio, que ama o seu País e que o idealiza melhor se for governado por Sociais-democratas.
Creia que há espaço para a ideologia Politica e ela esta a faltar-nos na Governação.
Veja um Modelo adaptado de Cogestão (esta no nosso Programa Fundador) a ser aplicado nas relações Profissionais na AutoEuropa.
Estou á sua disposição para fazer tudo que lhe digo e proponho.
Assuma uma atitude mais marcante no seu cargo e venha às bases de forma organizada, não visitar Empresas de aparente êxito, como faz o Presidente ou o seu Primeiro-ministro, antes venha visitar Empresas e Setores Falidos ou paralisados, para mostrarmos às pessoas que as queremos por a trabalhar! e traga o Deputado da Zona para que trabalhe localmente.
Um Abraço
Vieira da Cunha
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Reacção às diatribes de um "Senador"
Comentário publicado hoje na página do Facebook de António Capucho, relativamente à sua entrevista ao i:
Caro António Capucho, a sua entrevista hoje ao i é absolutamente deplorável, configura a nítida existência de um “complot” para derrubar um governo que, não obstante todas as manifs anti-troika, goza de muito maior legitimidade que a rua e todos os “senadores” juntos. Não me recordo de ter lido declarações suas tão violentas com José Sócrates, que nos pôs no estado de desgraça em que estamos e é o causador principal de todas as lancinantes medidas que nos vêm atingindo.
Você tem todo o direito de pensar assim, só que deve ser consequente: reúna assinaturas para directas antecipadas e assuma-se desde já como candidato à liderança do PSD. Você ou qualquer dos seus outros parceiros do “complot”, seja o Rui Rio, a Manuela Ferreira Leite, o Pacheco Pereira ou quem entenderem. Se têm um projecto diferente e melhor, assumam-no, entrem desde já em ruptura como fazia Sá Carneiro e partam à conquista do poder, não o façam apodrecer à espera que ele vos caia nas mãos. Essa do governo presidencial ou de salvação nacional é a subversão total do regime, o unanimismo da paz podre, laivos de puro terceiro-mundismo. Ponham tudo em causa se assim o entenderem, incluindo o plano de resgate que terão depois de o renegociar, mas assumam-se integralmente de acordo com as regras e mostrem depois o que valem. Não acredito que no final fiquemos melhor, mas cá estaremos para vos julgar.
Já tive oportunidade de lhe dizer que não há programa de austeridade e de ajustamento económico que se faça sem dor. De um “senador” como você, esperava-se que fizesse alguma pedagogia e explicasse a lógica das medidas (podendo ou não concordar com elas) em vez de, simplesmente, fomentar e cavalgar a onda do descontentamento. A alteração da TSU, que tanto alarido tem provocado, não pretende combater o défice (ela é neutra em termos fiscais), mas é antes uma medida visando 2 objectivos: um de natureza jurídico-política, para contornar o pobre argumento do Tribunal Constitucional quanto à falta de equidade na retirada dos subsídios à função pública; outro, de política económica e enquadrando-se no ajustamento pretendido para a economia com o reforço do sector transacionável. Como deve saber, as medidas constantes no Memorando da Troika não visam apenas o equilíbrio das finanças públicas, mas pretendem também o reajustamento estrutural da economia, criar condições para aumentar a nossa competitividade internacional e evitar novos desequilíbrios no futuro. Ora, a alteração da TSU é uma das várias medidas nesse sentido e, tal como está concebida, é de longe preferível a outras variantes da desvalorização fiscal em que se compensa a redução da taxa às empresas com aumento de impostos. Convenhamos que a solução encontrada pelo governo é bem mais justa, porque internaliza a questão ao nível das empresas: são os próprios trabalhadores que irão “financiar” o aumento de competitividade da empresa em que trabalham, uma entidade em que são parte interessada e de cujo sucesso amanhã certamente beneficiarão. O mesmo já não se passa se for o contribuinte em geral ou o consumidor a financiar a reestruturação empresarial, ficando totalmente desligados dos sucessos futuros das empresas. Você já defendeu, tal como Portas (mais impostos??? Jamais!!!) por interposto Bagão Félix, o aumento do IRS pela “virtude” da progressividade. Para além das condicionantes do Memorando que limita o ajustamento pela via da receita, recordo-lhe que um aumento de impostos muito dificilmente configura uma medida de política económica, trata-se geralmente da solução mais fácil, da fuga em frente, da droga que se continua a facultar ao viciado.
Mas há uma tremenda desigualdade nos sacrifícios, diz você. Sem dúvida! Qualquer política de ajustamento vai beneficiar determinados interesses em detrimento de outros, com a inerente iniquidade na repartição dos sacrifícios. Mas o problema de fundo não reside na “escandalosa” transmissão de rendimentos dos particulares para as empresas como tem sido propagado, de forma assaz hipócrita por muitos. A medida é flexível q.b. para permitir ajustamentos dentro das empresas e muitas haverá que continuarão a assumir o encargo actual com a TSU, não penalizando assim os respectivos trabalhadores. Isto irá acontecer fundamentalmente com as empresas exportadoras que serão indiferentes à queda (deliberada) na procura interna que a medida irá provocar. As empresas viradas apenas para o mercado interno, geralmente de bens e serviços não transacionáveis, serão bastante afectadas e têm aqui um bom incentivo para diversificarem mercados. Só que estamos a falar de empresas de grande dimensão, incumbentes e com ligações de sempre ao Estado, com enorme capacidade de lobby, com acesso fácil aos media (parte interessada, de resto, pois também integram o sector não transacionável), e que, pela 1ª vez, sentem estar a ruir o proteccionismo de que beneficiaram durante décadas. Esta “gente ilustre” há muito que gritou “Não à Troika”, não se coibiu em promover as manifs de sábado (basta ver a “mobilização” prévia das televisões) e exercerá todos os meios de pressão ao seu dispor para derrubar o governo mais hostil de sempre aos seus interesses.
Reparei que apreciou o último comentário que fiz sobre a delicada situação financeira internacional num post seu, pelo que deduzo concorda estar o mundo “no fio da navalha”. Assim, numa envolvente destas repleta de condicionantes restritivas, depois de termos TODAS as instituições internacionais a elogiarem Portugal pelo cumprimento rigoroso do programa de assistência, depois de termos convencido meio mundo que somos infinitamente diferentes da Grécia, depois de vermos um indicador importantíssimo como as taxas de juro a baixar significativamente nos últimos meses, prova que estamos a reganhar a confiança dos mercados, pormo-nos a brincar aos governos e às coligações, pode deitar tudo a perder.
Tenha paciência, mas o país não pode andar refém dos vossos ódiozinhos de estimação (que transparecem na entrevista) e dos interesses de todo um “establishment” baseado no sector não transaccionável e que você e o seu “distinto” grupo, consciente ou inconscientemente, corporizam.
Saudações laranjas.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Porto – Um Novo Rumo
No início deste ano foi publicado a versão portuguesa do livro “Thinking Fast and Slow” de Daniel Kahneman, prémio Nobel de economia em 2002. Daniel Kahneman, psicólogo de formação, é considerado um dos fundadores da Economia Comportamental, área que tenta conjugar a economia com a psicologia, pretendendo dessa forma obter uma teoria mais abrangente e “realista” do comportamento humano. Os seus contributos mais relevantes relacionam-se com enumeração de heurísticas que explicam o comportamento das pessoas em ambientes de incerteza e que estão na base de erros graves e sistemáticos, e na identificação da aversão à perda como um dos factores mais relevantes na explicação do comportamento humano (aversão à perda que é inconsistente com a teoria tradicional económica, que tem como pressuposto fundamental a racionalidade dos seres humanos). Num dos capítulos do livro, Daniel Kahneman analisa a questão de como as pessoas avaliam retrospectivamente as suas experiências (por exemplo, um concerto, uma noite de convívio com a família ou amigos, uma cirurgia, umas férias,…). A conclusão fundamental de Daniel Kahneman é que numa experiência há dois momentos cruciais, o pico e o final, que condicionam fortemente a memória das pessoas sobre as suas experiências. Muito mais do que a duração e a sensação de prazer ou desprazer durante uma experiência, as avaliações retrospectivas são fortemente dependentes de dois momentos singulares – o pico e o final.
Estamos a cerca de um ano das eleições autárquicas. Devido à lei de limitação de mandatos há muitos presidentes de câmara que não se podem candidatar. O concelho do Porto é um desses concelhos. Assim, é crucial fazer uma avaliação do desempenho do PSD nestes três mandatos, como um primeiro passo para determinar se o projecto político que o partido deve apresentar em 2013 deverá ser ir na linha da continuidade ou da ruptura com os últimos três mandatos. Utilizando os ensinamentos de Daniel Kahenman, por forma a tentar apurar a avaliação que maioria dos eleitores do Porto fazem da governação da cidade, acho que só podemos concluir que é urgente a apresentação de um programa de ruptura, nomeadamente com os últimos dois mandatos.
Quando se analisam os três mandatos, será unânime afirmar que o melhor foi o primeiro. Foi um mandato com muitas coisas boas. Desde logo, a nova cultura e práctica de rigor na gestão do orçamento camarário, adaptando os gastos às receitas. Tivesse o país sido gerido com o mesmo rigor, e muito provavelmente não teria havido necessidade de pedir ajuda internacional à troika. Em segundo lugar, o não ter medo de enfrentar alguns poderes da cidade, seja ao nível do futebol, da cultura, da comunicação social. É memorável a reforma feita, por exemplo, no Teatro Rivoli. Este espaço representava um custo brutal para o erário camarário (cerca de 2,5 milhões de eruos/ano), funcionado como uma coutada de uns poucos que viviam à custa de todos os outros. Importante, também, a aposta na requalificação dos bairros sociais da cidade, com destaque para o Bairro de João de Deus. No Porto, cerca de um quarto da população vive em bairros sociais, pelo que a sua recuperação foi uma decisão corajosa e justa. A criação da SRU (Sociedade de Reabilitação Urbana), pela inovação que trouxe (terá sido a primeira no país), e pelo que significava (uma aposta muito clara na reabilitação da baixa da cidade), trouxe um dinamismo que se julgava impossível de concretizar. Por fim, a gestão e conclusão de todo um conjunto de obras que tinham sido programadas para Porto-Cidade Europeia da Cultura 2001, cujos atrasos muitos custos representaram para o concelho. Foi, sem dúvida, um primeiro mandato inovador e cheio de boas ideias e grandes concretizações, representando claramente um projecto para cidade totalmente diferente do que tinha sido a gestão pelo PS desde 1989.
O segundo mandato começou com um sinal preocupante, o afastamento do vice-presidente do primeiro mandato, nunca tendo havido uma explicação pública convincente dos motivos que levaram a tal decisão. Se é certo que durante os dois mandatos seguintes houve a continuação de alguns projectos iniciados no primeiro, globalmente os resultados ficaram bastante aquém das expectativas. Um dos principais projectos, a demolição do Bairro do Aleixo e a reabilitação daquele espaço, está completamente parado. Já em 2008, durante o segundo mandato, este projecto foi apresentado como sendo uma mais-valia crítica para a cidade. Passados mais de quatro anos, e faltando um para o fim do terceiro mandato, apenas uma torre foi demolida. Relativamente à reabilitação do mercado do Bolhão, após dois projectos, um concurso, um acordo com a empresa vencedora, a anulação desse concurso e do contrato assinado, tudo continua na mesma. Por fim, a reabilitação da Baixa. Ao fim de onze anos, são poucos os prédios reabilitados, com um impacto negligenciável ao nível de novos moradores nesta zona nobre da cidade. A concretização ficou muito longe do esperado e desejado. Por outro lado, o novo dinamismo da baixa deve-se muito ao Aeroporto Sá Carneiro (ASC) e à empresa Ryanair (passe a publicidade). Refira-se, aliás, que no tocante ao ASC, embora não seja responsabilidade da cidade, pela sua importância para toda a região norte, a defesa de uma gestão autónoma deveria ter sido assumida afincadamente pelo actual presidente.
Em conclusão, o pico da gestão camarária foi o primeiro mandato, que tem o problema de já ter sido há muito tempo. Por outro lado, o final tem ficado muito aquém do esperado com uma clara tendência descendente. Utilizando os ensinamentos de Daniel Kahenma, só podermos concluir que a avaliação global do eleitor da cidade do Porto não deverá ser a mais positiva para o PSD. Por isso, a necessidade de apresentar um projecto político forte e inovador, que aproveite tudo de bom que foi feito, mas que apresente uma ideia diferente para a cidade.
Felizmente, o PSD é um partido muito rico em pessoas, pelo que não é necessário gastar muito tempo na procura de quem poderá dirigir esse projecto. Basta atravessar a ponte e temos a resposta a essa questão.
Estamos a cerca de um ano das eleições autárquicas. Devido à lei de limitação de mandatos há muitos presidentes de câmara que não se podem candidatar. O concelho do Porto é um desses concelhos. Assim, é crucial fazer uma avaliação do desempenho do PSD nestes três mandatos, como um primeiro passo para determinar se o projecto político que o partido deve apresentar em 2013 deverá ser ir na linha da continuidade ou da ruptura com os últimos três mandatos. Utilizando os ensinamentos de Daniel Kahenman, por forma a tentar apurar a avaliação que maioria dos eleitores do Porto fazem da governação da cidade, acho que só podemos concluir que é urgente a apresentação de um programa de ruptura, nomeadamente com os últimos dois mandatos.
Quando se analisam os três mandatos, será unânime afirmar que o melhor foi o primeiro. Foi um mandato com muitas coisas boas. Desde logo, a nova cultura e práctica de rigor na gestão do orçamento camarário, adaptando os gastos às receitas. Tivesse o país sido gerido com o mesmo rigor, e muito provavelmente não teria havido necessidade de pedir ajuda internacional à troika. Em segundo lugar, o não ter medo de enfrentar alguns poderes da cidade, seja ao nível do futebol, da cultura, da comunicação social. É memorável a reforma feita, por exemplo, no Teatro Rivoli. Este espaço representava um custo brutal para o erário camarário (cerca de 2,5 milhões de eruos/ano), funcionado como uma coutada de uns poucos que viviam à custa de todos os outros. Importante, também, a aposta na requalificação dos bairros sociais da cidade, com destaque para o Bairro de João de Deus. No Porto, cerca de um quarto da população vive em bairros sociais, pelo que a sua recuperação foi uma decisão corajosa e justa. A criação da SRU (Sociedade de Reabilitação Urbana), pela inovação que trouxe (terá sido a primeira no país), e pelo que significava (uma aposta muito clara na reabilitação da baixa da cidade), trouxe um dinamismo que se julgava impossível de concretizar. Por fim, a gestão e conclusão de todo um conjunto de obras que tinham sido programadas para Porto-Cidade Europeia da Cultura 2001, cujos atrasos muitos custos representaram para o concelho. Foi, sem dúvida, um primeiro mandato inovador e cheio de boas ideias e grandes concretizações, representando claramente um projecto para cidade totalmente diferente do que tinha sido a gestão pelo PS desde 1989.
O segundo mandato começou com um sinal preocupante, o afastamento do vice-presidente do primeiro mandato, nunca tendo havido uma explicação pública convincente dos motivos que levaram a tal decisão. Se é certo que durante os dois mandatos seguintes houve a continuação de alguns projectos iniciados no primeiro, globalmente os resultados ficaram bastante aquém das expectativas. Um dos principais projectos, a demolição do Bairro do Aleixo e a reabilitação daquele espaço, está completamente parado. Já em 2008, durante o segundo mandato, este projecto foi apresentado como sendo uma mais-valia crítica para a cidade. Passados mais de quatro anos, e faltando um para o fim do terceiro mandato, apenas uma torre foi demolida. Relativamente à reabilitação do mercado do Bolhão, após dois projectos, um concurso, um acordo com a empresa vencedora, a anulação desse concurso e do contrato assinado, tudo continua na mesma. Por fim, a reabilitação da Baixa. Ao fim de onze anos, são poucos os prédios reabilitados, com um impacto negligenciável ao nível de novos moradores nesta zona nobre da cidade. A concretização ficou muito longe do esperado e desejado. Por outro lado, o novo dinamismo da baixa deve-se muito ao Aeroporto Sá Carneiro (ASC) e à empresa Ryanair (passe a publicidade). Refira-se, aliás, que no tocante ao ASC, embora não seja responsabilidade da cidade, pela sua importância para toda a região norte, a defesa de uma gestão autónoma deveria ter sido assumida afincadamente pelo actual presidente.
Em conclusão, o pico da gestão camarária foi o primeiro mandato, que tem o problema de já ter sido há muito tempo. Por outro lado, o final tem ficado muito aquém do esperado com uma clara tendência descendente. Utilizando os ensinamentos de Daniel Kahenma, só podermos concluir que a avaliação global do eleitor da cidade do Porto não deverá ser a mais positiva para o PSD. Por isso, a necessidade de apresentar um projecto político forte e inovador, que aproveite tudo de bom que foi feito, mas que apresente uma ideia diferente para a cidade.
Felizmente, o PSD é um partido muito rico em pessoas, pelo que não é necessário gastar muito tempo na procura de quem poderá dirigir esse projecto. Basta atravessar a ponte e temos a resposta a essa questão.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
"Portugal depois do Euro - verdade ou ficção?" - Fotos
Publica-se resumo fotográfico do jantar/debate "Portugal depois do Euro - verdade ou ficção?", com o Professor Pedro Arroja, realizado no passado dia 6 de Junho de 2012.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Debate - “Portugal depois do Euro – Verdade ou ficção?” com Professor Pedro Arroja
Cara(o)s Companheira(o)s,
Temos o prazer de vos convidar a participar no próximo jantar debate organizado pelo grupo cívico-político Porto Laranja, que terá como convidado especial o Professor Pedro Arroja, economista português com larga experiência no mundo académico e empresarial, tanto a nível nacional como internacional, que irá fazer uma apreciação critica ao tema “Portugal depois do Euro – Verdade ou ficção?”.
O debate será precedido de um jantar e realizar-se-á no dia 6 de Junho, pelas 20h, no Hotel Beta (Amial), no Porto, e terá o custo de 15€.
Agradecemos confirmação até ao dia 04 de Junho através de telefone ou e-mail.
Saudações Social Democratas
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
PSD Cidade do Porto - "Metro do Porto é exemplo nacional"
Greve dos transportes públicos
Metro do Porto é exemplo Nacional
Hoje é mais um dia marcado pela greve nos transportes. Numa altura em que se discute a reforma dos transportes públicos, numa altura em que se fala muito do centralismo em relação a Lisboa, numa altura em que a discussão pública anda sempre em torno do que de mau acontece neste país, o PSD da Cidade do Porto, não pode deixar de enaltecer o bom exemplo do Metro do Porto.
Mais uma vez o Metro do Porto não faz greve. Mais uma vez o Metro do Porto não prejudica os seus utentes. Mais uma vez o Metro do Porto é um exemplo nacional e destaca-se como um “case-study” mundial. O Metro do Porto deve fazer parte das razões de orgulho de sermos cidadãos de Portugal.
Cerca de 200 mil pessoas são diariamente transportadas pelo Metro do Porto. Em funcionamento há 9 anos, já evitou 25 milhões de deslocações em automóvel, prevenindo a emissão de 343 mil toneladas de emissões poluentes. Deste meio de transporte depende a mobilidade de 20 por cento da população dos concelhos servidos pelas suas linhas. É um facto que os seus utentes apreciam o serviço (81 pontos de taxa de satisfação). É também um facto que é das poucas empresas nacionais cujo o serviço é sustentável, em que as receitas praticamente cobrem os custos operacionais diretos.
O Metro do Porto tem o custo por passageiro/quilómetro mais baixo em Portugal (13,83 cêntimos), gera receitas apreciáveis — 13,43 cêntimos por passageiro/quilómetro, o valor mais elevado em Portugal — e por isso, apresenta uma taxa de cobertura de 97,2 por cento (dados de Setembro). Uma taxa infelizmente única em Portugal e rara em toda a Europa. Não por acaso, o Metro do Porto detém o título de “Melhor Novo Sistema” da União Internacional do Transporte Público.
O Metro do Porto é detido exclusivamente por capitais públicos (das autarquias e do Estado Central), mas sempre foi governado por um modelo de gestão idêntico ao do sector privado. Não há, nunca houve, acordos de empresa ou contractos coletivos. Nunca se pagou uma hora extraordinária. Nunca houve progressões automáticas na carreira ou prémios por antiguidade. Nunca houve regalias como 25 dias de férias ou tolerâncias de ponto universais. Não há nem houve sindicatos ou comissões de trabalhadores. Muito menos alguma vez houve greves. Não houve aumentos salariais equivalentes aos da função pública, apenas cortes salariais, esses sim, equivalentes aos da função pública.
Por tudo isto o PSD da Cidade do Porto louva o bom exemplo do Metro do Porto e exorta o Governo a olhar para este exemplo e exportá-lo para Lisboa.
Ricardo Almeida
Presidente da Concelhia do PSD Cidade do Porto
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Porto de Leixões - Moção aprovada pela Assembleia Distrital do PSD Porto em 30-01-2012
MOÇÃO
Em 2006 o governo Sócrates propôs, no âmbito do PRACE (Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado), a gestão centralizada dos vários portos nacionais através da criação de uma holding. A implementação desta medida esteve prevista no OE para 2011.
Considerando que:
a) Os portos, bem assim como os aeroportos, constituem equipamentos fundamentais ao desenvolvimento das regiões em que se inserem;
b) Constituem ainda veículos importantíssimos ao incremento do comércio internacional e do turismo, duas actividades relevantes para a ultrapassagem da crise em que o País se encontra;
c) A perfeita integração destes equipamentos com a economia regional exige uma administração local que melhor interprete as necessidades e especificidades do meio envolvente;
d) O porto de Leixões representa um verdadeiro “case study” na reviravolta que conseguiu implementar no seu modelo de gestão, na qualidade dos serviços que presta às empresas exportadoras e no potencial de desenvolvimento turístico com o novo terminal de cruzeiros;
e) A centralização da sua gestão em Lisboa através da holding que se pretende criar, acarreta sérios riscos de canalizar os seus excedentes para o financiamento de outros portos, colocando em causa a sua dinâmica actual ao serviço das exportações do Norte.
A Assembleia Distrital do PSD do Porto, reunida no dia 30 de Janeiro de 2012 na Póvoa de Varzim, delibera:
PONTO ÚNICO
Solicitar aos deputados do Distrito que intercedam junto do Governo no sentido do imediato cancelamento daquela disposição do PRACE, estipulando em simultâneo o princípio da gestão local deste tipo de equipamentos.
Póvoa de Varzim, 30/01/2012
Luís Rocha – Militante nº 5145
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Votos de um Santo Natal
Caras (os) Companheiras (os),
Faço votos de um Santo Natal, na companhia dos vossos familiares e amigos e que 2012, apesar de todas as dificuldades seja para todos um ano repleto de realizações pessoais e muitos sucessos.
O próximo ano, fruto da difícil situação económica, financeira e social do país, vai exigir de todos nós, ainda mais empenho e solidariedade, porque acreditamos que o reformismo social democrata, tem por base a crença no futuro do homem e da sociedade e assim porque depende de cada um de nós, devemos contribuir para o encontrar das soluções que garantam o equilíbrio justo da sociedade e se alcance a essência da dignidade humana.
O Porto Laranja, é um espaço de reflexão, de liberdade, de democracia, e acreditamos que a justiça social e a orientação política para a Pessoa, deve ser um traço distintivo do nosso pensamento político, na afirmação de ideias e valores.
No princípio de 2012, retomaremos os nossos jantares/debate, bem como a restante actividade de reflexão. Vai ser um ano exigente e responderemos presente, em nome dos princípios em que acreditamos.
Neste Natal de 2011, em que muitas famílias sentem o drama do desemprego, deve ser maior ainda o nosso pensamento solidário e a vontade de ajudarmos com as nossas reflexões, a construir ideias e propostas, sempre tendo como orientação a Pessoa.
E por isso recordo nesta mensagem de Natal, aquele que foi fundador do PSD e o maior estadista português de sempre e com quem estamos sempre a aprender, na leitura dos seus textos:
“ Saber estar e romper a tempo, correr os riscos da adesão e da renuncia, pôr a sinceridade das posições acima dos jogos pessoais – isso é a política que vale a pena: aventura lúcida da prossecução do bem comum na linha sinceramente tida como a mais adequada ao progresso dos Homens.”
Renovo os votos de um Santo Natal e um 2012 repleto de sucessos.
Abraço amigo,
Luis Artur
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Clipping Porto Laranja
Notas de imprensa da Proposta de Reorganização Administrativa do Concelho do Porto, coordenada por Luis Artur e apresentada à Comissão Política da Secção do Porto do Partido Social Democrata.
RTP
SIC
LUSA
JN
EXPRESSO
VISÃO
PORTO CANAL
RTP
SIC
LUSA
JN
EXPRESSO
VISÃO
PORTO CANAL
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
PROPOSTA DE REORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DO CONCELHO DO PORTO
Publica-se, para análise e conhecimento de Todos os militantes e interessados, a Proposta de Reorganização Administrativa para o concelho do Porto, coordenada por Luis Artur e apresentada à Comissão Política da Secção do Porto do Partido Social Democrata.
- Um diagnóstico às Freguesias existentes, com os seguintes resultados: 15 Freguesias; elevadíssima amplitude e desvio padrão entre freguesias quer em relação à área, quer à população; Perda de 10% da população entre censos (2001/2011), concentrada na zona oriental da cidade;
- Duas propostas de nova divisão administrativa do concelho - a Proposta "A" contempla 10 freguesias, a Proposta "B" contempla 9 freguesias; base zero na construção dos mapas, desenhados a partir dos principais eixos rodoviários e ferroviário. As propostas corrigem os desvios de área e população entre freguesias apresentados no diagnóstico, e respeitam integralmente os objectivos, metodologia e critérios expressos no "Documento Verde da Reforma da Administração Local" para freguesias nível 1, nomeadamente: 1) Redução do actual número de freguesias salvaguardando as especificidades territoriais (respeito pela identidade histórica e cultural); 2) Reforço do poder de proximidade das novas freguesias; 3) Raio < 3km; 4) População média das novas freguesias > 20.000 (23.800 na Proposta A, 26.444 na Proposta B - nesta, a única freguesia cuja população actual prevista se situa abaixo dos 20.000 que o Documento Verde determina, freguesia "Oriental", é a que apresenta, de todas, maior potencial de crescimento).
Nota: Os nomes atribuidos às freguesias propostas são meramente indicativos.
INTRODUÇÃO
A reforma administrativa que o governo de Portugal decidiu empreender, deve do ponto de vista do PSD do Porto, ir o mais longe possível, num processo de descentralização e desconcentração do poder central, com o reforço do municipalismo e das autarquias intermédias.
O PSD do Porto, sempre defensor da Regionalização, na concretização de uma reforma administrativa, considera que a não ser feita no momento, não deve ser perdido de vista a sua concretização futura, defendendo-se, nesta etapa o reforço das competências do município e da freguesia e apontando-se competências de escala, para autarquias intermédias como são as áreas Metropolitanas e as Comunidades urbanas;
O poder vem do povo, e o seu exercício, para ter força e ser eficaz, exige um processo de eleição directo popular.
Assim, entende o PSD do Porto, que devem ser revistas as competências da Freguesia, numa base de serviços de proximidade às populações, nas áreas sociais e de gestão do território público, dos municípios, acentuando-se as competências de gestão urbanística, social e dos espaços e territórios públicos e serem atribuídas competências às autarquias intermédias, Áreas Metropolitanas, que impliquem gestão de escalas intermunicipais, seja de gestão do território, sócio económicas, culturais, ambientais e equipamentos públicos.
Defende assim o PSD do Porto, que a reforma que o governo empreendeu, deve consagrar a eleição directa pelo povo das autarquias intermédias, nomeadamente das áreas metropolitanas.
Tal significará o reforço do municipalismo, e da descentralização e desconcentração.
Esta é com toda a certeza, uma proposta à imagem da grandeza do Porto, que ao longo da sua história sempre soube lutar e concretizar os anseios de liberdade e da procura constante da justiça e da não descriminação e discricionariedade, que por vezes resulta de um poder centralista, daí propormos pelo povo a eleição das autarquia intermédia e para que no futuro lhe possamos dar mais escala, concretizando a Regionalização Administrativa do Continente.
DIAGNÓSTICO
Nº de Freguesias – 15
Área 41,43Km
População Residente (2011) – 237.559
Se da população total se infere, que uma distribuição de 15 freguesias, seria comportável e dentro dos valores (mesmo a melhor distribuição) na Área Metropolitana do Porto, facilmente se verifica que teria forçosamente de haver uma nova distribuição para que de acordo com este parâmetro fosse mais homogénea.
Variação da População 2001/2011
Contribuição por Freguesia para a Variação Total 2001/2011
Das 25.572 perdas de residentes, entre censos, verifica-se uma contribuição de 69% das mesmas por apenas 4 freguesias. Também se infere que apesar desta localização, não há alterações relativas, face à conclusão da distribuição populacional. Excepção para Ramalde e Lordelo do Ouro, que reforçam as suas posições relativas.
Valências
Diversas. Especificidade em algumas freguesias e outras com valências mais ou menos homogéneas;
Conclusão de Diagnóstico
Falta de homogeneidade populacional e de área na actual distribuição e segundo estes critérios, possibilidade de correcção, nomeadamente por nova distribuição territorial:
1. Por fusão e partilha de territórios, apontando para cerca de 20 freguesias, que estaria em linha com uma possível nova distribuição na Área Metropolitana e de acordo com um critério de proximidade populacional;
2. Por redistribuição territorial e aproximação média do rácio populacional e de área, implicando partilhas dos actuais territórios, salvaguardando-se dentro do possível o critério de proximidade área/população, ou seja, seguindo uma lógica de não concentração, privilegiando-se uma média densidade.
Dadas as actuais circunstâncias políticas, segue-se no desenvolvimento da proposta, esta 2ª via.
PROPOSTA A
Base Zero, na construção do mapa, por redesenho do território;
Critério Proximidade, tendo em atenção:
1. Área por freguesia de 2,33 a 7,67Km2, diminuindo fortemente o desvio padrão e actual dispersão sobretudo nas actuais freguesias mais pequenas;
2. Densidade populacional por freguesia de 13.000 a 37.000 habitantes, reduzindo fortemente a actual dispersão;
3. Valências, maior uniformidade na sua distribuição.
Aponta-se nesta solução que cumpre um critério de proximidade e menor dispersão em área e em população para 10 FREGUESIAS.
Seguiu-se a mesma distribuição da proposta A, fundindo-se apenas por razões de maior uniformidade nas valências duas áreas territoriais da proposta A.
Em todos os critérios é idêntica à proposta A
Aponta-se nesta solução para 9 FREGUESIAS.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Desemprego - Um longo Túnel, sem luz à vista?
O desemprego é hoje praticamente à escala global (cerca de 45 milhões de desempregados no conjunto dos países da OCDE) um fenómeno em galopante ascensão, e é do meu ponto de vista o desafio mais difícil que enfrentamos, sendo no nosso país hoje, o problema social mais grave.
Sem perspectivas de crescimento económico, este fenómeno vai agravar-se, e é já a causa mais importante do crescimento da pobreza, e a face visível do drama humano da crise.
Portugal tem uma das taxas de desemprego mais elevada da União Europeia a 27, e entre os 34 estados membros da OCDE, ultrapassando já os setecentos mil desempregados, 12,4%, e estimo mesmo uma taxa real de cerca de 15.2% se considerarmos os inactivos disponíveis (que deixaram de procurar emprego) e o sub emprego (“biscates”).
A Região Norte, tem indicadores ainda mais preocupantes, o que não é de estranhar, uma vez que é região chave do país para a produção de bens transaccionáveis.
Cerca de 278.000 desempregados, ou seja uma taxa de 14%, corrigida para cerca de 16,9% com os inactivos e o subemprego que afecta cerca de 56.000 pessoas.
A riqueza destruída pelo desemprego, é hoje de cerca de 9.700 milhões de euros, ou seja aproximadamente 20.3% do PIB da Região Norte.
O desemprego afecta essencialmente dois níveis etários de forma grave e com consequências para o futuro do país em termos económicos e sociais:
Jovens, em que no primeiro trimestre de 2011, a taxa de desemprego para pessoas entre os 15 e os 24 anos ascendeu aos 17,4% nos países da OCDE, sendo em Portugal de 22.4%, bem superior à taxa média de desemprego, que representando um desemprego qualificado, e que não conseguindo o tão almejado posto de trabalho, em Portugal, seguem a única saída possível, ou seja encontrar emprego noutros Países. Estamos a assistir a uma fuga de jovens quadros, que terá reflexo evidente no crescimento económico futuro. São cerca de 95.000 os jovens à procura de emprego;
Portugueses, já com longa experiência no mercado de trabalho, que por fecho das empresas, ou racionalização de actividades, estão no desemprego em idades (40 a 65 anos), em que muito dificilmente voltarão a reentrar no mercado de trabalho, sendo por isso um problema social muito grave, e que está na origem do crescimento da pobreza.
Note-se que no último ano a taxa de desemprego de longa duração, cresceu cerca de 33%, registando – se mesmo para o desemprego com mais de 25 meses, um crescimento na ordem dos 80%. Este é um verdadeiro drama humano.
Sem perspectivas de crescimento económico a curto prazo, com uma estagnação da procura interna e com os níveis de confiança dos consumidores e das empresas, nomeadamente das empresas que criam postos de trabalho, as PMEs, a apresentarem sinais verdadeiramente alarmantes, o combate ao desemprego tem de ser encarado como uma prioridade política do governo, exigindo-se pois medidas de política activas de emprego e medidas de política social que minorem os efeitos colaterais do desemprego, associados à pobreza.
Quanto a estas últimas, registe-se o Programa de Emergência Social, lançado pelo governo e a actuação extremamente positiva do Sr. Secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social, Dr. Marco António Costa, que tem vindo a encontrar e preparar respostas para os mais desprotegidos, focalizando apoios aos grupos de risco, num verdadeiro modelo de inovação social, envolvendo autarquias, IPSS’S, Misericórdias, Mutualidades, que se traduz na dinamização de uma verdadeira economia social.
Do ponto de vista da Economia, é absolutamente crucial, que o governo dê os sinais necessários, que ainda não deu, para que se inicie um ciclo virtuoso de atracção de investimento estrangeiro, que crie novas competências e oportunidades, sinais claros de aumento da produção nacional, para o mercado interno em substituição de importações, para os mercados externos, reforçando a componente exportadora, de alterações do financiamento da economia e das PMEs, e de uma aposta no capital de risco público. Medidas e Visibilidade na Economia, são vitais e urgentes.
Todos os sacrifícios que os portugueses estão a fazer, do ponto de vista financeiro, para reequilibrar as contas públicas, poderão ser em vão, se Portugal não iniciar rapidamente um ciclo de crescimento económico, que traga a “luz necessária para se ver o fundo do túnel”
Luis Artur
Sem perspectivas de crescimento económico, este fenómeno vai agravar-se, e é já a causa mais importante do crescimento da pobreza, e a face visível do drama humano da crise.
Portugal tem uma das taxas de desemprego mais elevada da União Europeia a 27, e entre os 34 estados membros da OCDE, ultrapassando já os setecentos mil desempregados, 12,4%, e estimo mesmo uma taxa real de cerca de 15.2% se considerarmos os inactivos disponíveis (que deixaram de procurar emprego) e o sub emprego (“biscates”).
A Região Norte, tem indicadores ainda mais preocupantes, o que não é de estranhar, uma vez que é região chave do país para a produção de bens transaccionáveis.
Cerca de 278.000 desempregados, ou seja uma taxa de 14%, corrigida para cerca de 16,9% com os inactivos e o subemprego que afecta cerca de 56.000 pessoas.
A riqueza destruída pelo desemprego, é hoje de cerca de 9.700 milhões de euros, ou seja aproximadamente 20.3% do PIB da Região Norte.
O desemprego afecta essencialmente dois níveis etários de forma grave e com consequências para o futuro do país em termos económicos e sociais:
Jovens, em que no primeiro trimestre de 2011, a taxa de desemprego para pessoas entre os 15 e os 24 anos ascendeu aos 17,4% nos países da OCDE, sendo em Portugal de 22.4%, bem superior à taxa média de desemprego, que representando um desemprego qualificado, e que não conseguindo o tão almejado posto de trabalho, em Portugal, seguem a única saída possível, ou seja encontrar emprego noutros Países. Estamos a assistir a uma fuga de jovens quadros, que terá reflexo evidente no crescimento económico futuro. São cerca de 95.000 os jovens à procura de emprego;
Portugueses, já com longa experiência no mercado de trabalho, que por fecho das empresas, ou racionalização de actividades, estão no desemprego em idades (40 a 65 anos), em que muito dificilmente voltarão a reentrar no mercado de trabalho, sendo por isso um problema social muito grave, e que está na origem do crescimento da pobreza.
Note-se que no último ano a taxa de desemprego de longa duração, cresceu cerca de 33%, registando – se mesmo para o desemprego com mais de 25 meses, um crescimento na ordem dos 80%. Este é um verdadeiro drama humano.
Sem perspectivas de crescimento económico a curto prazo, com uma estagnação da procura interna e com os níveis de confiança dos consumidores e das empresas, nomeadamente das empresas que criam postos de trabalho, as PMEs, a apresentarem sinais verdadeiramente alarmantes, o combate ao desemprego tem de ser encarado como uma prioridade política do governo, exigindo-se pois medidas de política activas de emprego e medidas de política social que minorem os efeitos colaterais do desemprego, associados à pobreza.
Quanto a estas últimas, registe-se o Programa de Emergência Social, lançado pelo governo e a actuação extremamente positiva do Sr. Secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social, Dr. Marco António Costa, que tem vindo a encontrar e preparar respostas para os mais desprotegidos, focalizando apoios aos grupos de risco, num verdadeiro modelo de inovação social, envolvendo autarquias, IPSS’S, Misericórdias, Mutualidades, que se traduz na dinamização de uma verdadeira economia social.
Do ponto de vista da Economia, é absolutamente crucial, que o governo dê os sinais necessários, que ainda não deu, para que se inicie um ciclo virtuoso de atracção de investimento estrangeiro, que crie novas competências e oportunidades, sinais claros de aumento da produção nacional, para o mercado interno em substituição de importações, para os mercados externos, reforçando a componente exportadora, de alterações do financiamento da economia e das PMEs, e de uma aposta no capital de risco público. Medidas e Visibilidade na Economia, são vitais e urgentes.
Todos os sacrifícios que os portugueses estão a fazer, do ponto de vista financeiro, para reequilibrar as contas públicas, poderão ser em vão, se Portugal não iniciar rapidamente um ciclo de crescimento económico, que traga a “luz necessária para se ver o fundo do túnel”
Luis Artur
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
A Grande Recessão
A grande crise (a que já se chame de Grande Recessão) que o mundo vive desde 2007, que teve como facto mais emblemático a falência da Lehman Brothers em 15 de Setembro de 2008 (fez agora três anos), teve como uma das componentes principais a securitização. De forma muito simples, isto foi a forma de empacotar um conjunto de créditos sub-prime, dar-lhe um rótulo de qualidade (através das agências de rating), e dessa forma conseguir passar o risco para o comparador das obrigações, permitindo que o mutuante original pouca preocupação tivesse com a capacidade do mutuário em cumprir as suas responsabilidades.
A origem desta técnica está associada ao crédito de habitação, tendo começado a ser utilizada em grande escala nos anos oitenta do século XX, nomeadamente nos países nórdicos. Contudo, o primeiro exemplo da utilização da técnica de securitização encontra-se no século XVIII, e teve como base obrigações emitidas pela monarquia francesa que rendiam um montante fixo até à morte da pessoa que beneficiava da anuidade. Essas anuidades rapidamente tornaram-se populares, principalmente junto de homens abastados com uma certa idade, já que garantiam um rendimento garantido para o resto da vida, numa altura em que não havia pensões. A monarquia gostava das anuidades porque recebia o dinheiro antecipadamente.
Havia, no entanto, um pormenor que abriu todo um novo campo de possibilidades: o comprador podia condicionar os recebimentos das anuidades ao fim de vida de outra pessoa, que não ele próprio. Este simples detalhe, permitiu que banqueiros de Genebra o seguinte negócio: escolhiam um determinado número de raparigas (por exemplo 30), que apresentassem características de puderem viver muito tempo, e compravam uma anuidade para cada um delas. Em seguida, agrupavam as anuidades, de modo a diversificarem o risco de uma acidental mortalidade precoce entre as raparigas, vendiam a cidadãos de Genebra título de crédito sobre as entradas de capital daí resultantes. Desta forma garantiam um lucro seguro, na medida que comprovam anuidades baratas ao governo francês, e revendiam-nas, a um preço mais alto, a investidores. Estes títulos de crédito rapidamente ganharam notoriedade, devido à boa reputação dos banqueiros de Genebra e porque tinham como subjacentes anuidades do governo francês.
Mas, o «cisne negro» (“black snaw”, na famosa expressão de Nicholas Taleb) aconteceu: a Revolução Francesa de 1789. A monarquia foi derrubada e o governo revolucionário começou atrasar os pagamentos das anuidades. Estes foram feitos, mas numa moeda bastante desvalorizada, o que obrigou os banqueiros de Genebra a entrarem em incumprimento, já que os títulos de crédito que emitiram estavam denominados em fracos suíços.
Este pequeno episódio permite, tirar três conclusões fundamentais, que se aplicam também à actual Grande Recessão. A primeira é que há muito gente envolvida nos mercados financeiros que não percebe grande coisa do que realmente se está a passar. Isto engloba gestores de fundos, brokers, especialistas, analistas, supervisores, reguladores, jornalistas, que funcionam sobre o efeito rebanho. Como todo mercado está a ir numa determinada direcção, eles também vão, o que numa primeira fase permite que uma determinada actividade se torne cada mais lucrativa, pelo aumento do preço dos títulos. Este aumento auto-sustentado, permite criar a ilusão a muitos dos participantes que são uns génios, quando na verdade apenas fazem parte de um grande rebanho que está a ser conduzido ao precipício.
A segunda nota, por contraposição à primeira, é que há sempre um pequeno número de pessoas que sabe perfeitamente o que se está a passar, e que a situação é insustentável. Na actual Grande Recessão o melhor exemplo é, em minha opinião, a resposta em Julho de 2007 de Chuck Prince, CEO do Citigroup, a um jornalista do Financial Times, que quando questionado sobre por que é o banco continuava a facilitar crédito para o financiamento de aquisições, afirmou «Quando a música parar, em termos de liquidez, as coisas vão ficar complicadas. Mas enquanto a música tocar, há que nos levantarmos e dançarmos. Nós ainda estamos a dançar».
A terceira, que decorre da segunda, é que quem percebe o que está acontecer, e no fundo, quem “comanda” os mercados, sabe que os governos acabaram sempre por intervir, já que não podem deixar ruir todo o sistema financeiro, devido aos fortes danos colaterais que isso acarretaria. Esta convicção, e esta certeza pelas experiências passadas, permitem que os mercados incorram em riscos elevados, deixando o mercado de ter o papel disciplinador que na maioria das vezes tem. É o chamado «risco moral», sendo que o papel disciplinador do mercado é entorpecido pelas repetidas intervenções governamentais.
A origem desta técnica está associada ao crédito de habitação, tendo começado a ser utilizada em grande escala nos anos oitenta do século XX, nomeadamente nos países nórdicos. Contudo, o primeiro exemplo da utilização da técnica de securitização encontra-se no século XVIII, e teve como base obrigações emitidas pela monarquia francesa que rendiam um montante fixo até à morte da pessoa que beneficiava da anuidade. Essas anuidades rapidamente tornaram-se populares, principalmente junto de homens abastados com uma certa idade, já que garantiam um rendimento garantido para o resto da vida, numa altura em que não havia pensões. A monarquia gostava das anuidades porque recebia o dinheiro antecipadamente.
Havia, no entanto, um pormenor que abriu todo um novo campo de possibilidades: o comprador podia condicionar os recebimentos das anuidades ao fim de vida de outra pessoa, que não ele próprio. Este simples detalhe, permitiu que banqueiros de Genebra o seguinte negócio: escolhiam um determinado número de raparigas (por exemplo 30), que apresentassem características de puderem viver muito tempo, e compravam uma anuidade para cada um delas. Em seguida, agrupavam as anuidades, de modo a diversificarem o risco de uma acidental mortalidade precoce entre as raparigas, vendiam a cidadãos de Genebra título de crédito sobre as entradas de capital daí resultantes. Desta forma garantiam um lucro seguro, na medida que comprovam anuidades baratas ao governo francês, e revendiam-nas, a um preço mais alto, a investidores. Estes títulos de crédito rapidamente ganharam notoriedade, devido à boa reputação dos banqueiros de Genebra e porque tinham como subjacentes anuidades do governo francês.
Mas, o «cisne negro» (“black snaw”, na famosa expressão de Nicholas Taleb) aconteceu: a Revolução Francesa de 1789. A monarquia foi derrubada e o governo revolucionário começou atrasar os pagamentos das anuidades. Estes foram feitos, mas numa moeda bastante desvalorizada, o que obrigou os banqueiros de Genebra a entrarem em incumprimento, já que os títulos de crédito que emitiram estavam denominados em fracos suíços.
Este pequeno episódio permite, tirar três conclusões fundamentais, que se aplicam também à actual Grande Recessão. A primeira é que há muito gente envolvida nos mercados financeiros que não percebe grande coisa do que realmente se está a passar. Isto engloba gestores de fundos, brokers, especialistas, analistas, supervisores, reguladores, jornalistas, que funcionam sobre o efeito rebanho. Como todo mercado está a ir numa determinada direcção, eles também vão, o que numa primeira fase permite que uma determinada actividade se torne cada mais lucrativa, pelo aumento do preço dos títulos. Este aumento auto-sustentado, permite criar a ilusão a muitos dos participantes que são uns génios, quando na verdade apenas fazem parte de um grande rebanho que está a ser conduzido ao precipício.
A segunda nota, por contraposição à primeira, é que há sempre um pequeno número de pessoas que sabe perfeitamente o que se está a passar, e que a situação é insustentável. Na actual Grande Recessão o melhor exemplo é, em minha opinião, a resposta em Julho de 2007 de Chuck Prince, CEO do Citigroup, a um jornalista do Financial Times, que quando questionado sobre por que é o banco continuava a facilitar crédito para o financiamento de aquisições, afirmou «Quando a música parar, em termos de liquidez, as coisas vão ficar complicadas. Mas enquanto a música tocar, há que nos levantarmos e dançarmos. Nós ainda estamos a dançar».
A terceira, que decorre da segunda, é que quem percebe o que está acontecer, e no fundo, quem “comanda” os mercados, sabe que os governos acabaram sempre por intervir, já que não podem deixar ruir todo o sistema financeiro, devido aos fortes danos colaterais que isso acarretaria. Esta convicção, e esta certeza pelas experiências passadas, permitem que os mercados incorram em riscos elevados, deixando o mercado de ter o papel disciplinador que na maioria das vezes tem. É o chamado «risco moral», sendo que o papel disciplinador do mercado é entorpecido pelas repetidas intervenções governamentais.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Uma Pequena Nota Sobre Produtividade – O Exemplo do Condutor de Autocarro
Considerando dados de 2009, um condutor de autocarro de Nova Deli tinha um salário de 18 rupias por hora. O seu congénere em Estocolmo recebia cerca de 130 coroas, o que equivalia, a aproximadamente a 870 rupias. Por outras palavras, o condutor sueco tem uma remuneração quase 50 vezes superior à do seu congénere indiano. A explicação tradicional das diferenças salariais entre as pessoas remete para diferenças de produtividade. Assim, se um condutor de autocarro sueco recebe 50 vezes mais do que um condutor indiano, a diferença tem de se dever ao facto do primeiro ser 50 vezes mais produtivo como condutor do que o segundo. No entanto, é possível que uma pessoa conduza 50 vezes melhor do que outra? Mesmo se, de alguma forma, descobríssemos um processo para medir quantitativamente a qualidade da condução, será tal diferença de produtividade possível? Temos de concordar que é muito difícil de conceber como pode um condutor regular de autocarros conduzir 50 vezes melhor do que outro. Aliás, será até provável que o condutor indiano tenha mais destreza na condução do que o condutor sueco. Este pode, evidentemente, ser um bom condutor pelos padrões sueco, mas alguma vez na vida terá tido necessidade de se desviar de uma vaca? O condutor sueco apenas tem, quase sempre, de saber conduzir em linha recta, enquanto o condutor indiano tem de conduzir quase constantemente entre carroças e bicicletas, com caixas amontoadas de três metros de altura.
Poderia argumentar-se, por outro lado, que o condutor sueco recebe um salário superior porque possui mais «capital humano», ou seja, competências e conhecimentos acumulado por meio de educação e formação. Contudo, pouco do «capital humano» do condutor sueco adquirido no liceu será relevante para conduzir um autocarro. Ele não necessita de conhecimentos sobre cromossomas humanos ou sobre a guerra de 1809 (Suécia contra a Rússia) para conduzir bem o seu autocarro. Assim, o «capital humano» adicional do condutor sueco não é razão pela qual ele recebe um salário 50 vezes superior ao condutor indiano.
O principal motivo por que o condutor sueco tem uma remuneração 50 vezes superior à do condutor indiano é o proteccionismo – os trabalhadores suecos estão protegidos da concorrência dos trabalhadores da Índia e de outros países pobres, graças à restrições à imigração. Teoricamente, não existe nada que impeça que todos os condutores de autocarro suecos sejam substituídos por indianos ou chineses. A maior parte destes estrangeiros ficaria satisfeita com uma fracção do salário que os trabalhadores suecos recebem, ao mesmo tempo que todos eles seriam capazes de desempenhar a função igualmente bem, ou até melhor. E não apenas os trabalhadores com baixas qualificações como empregados de limpeza ou varredores de rua. Existem muitos engenheiros, bancários e programadores informáticos disponíveis em Xangai, Nairobi ou Quioto capazes de substituir os seus congéneres em Estocolmo, Linköping e Malmö. Porem, estes trabalhadores não podem entrar no mercado de trabalho sueco devido às restrições à imigração. Consequentemente, os trabalhadores suecos conseguem ter salários 50 vezes superiores aos dos trabalhadores indianos, apesar de muitos deles não apresentarem produtividadess mais elevadas.
A questão seguinte que se pode colocar é como é Suécia consegue pagar 50 vezes mais aos seus condutores de autocarro, comparativamente à Índia, quando o diferencial de produtividade não o justifica. Não sendo uma resposta fácil, pode-se sempre dizer que o condutor de autocarro sueco partilha o seu mercado de trabalho com outras pessoas que são muito mais do que 50 vezes mais produtivas que os seus congéneres indianos. Ou seja, alguns suecos – gestores de topo, cientistas e engenheiros em empresas líderes a nível mundial – são centenas de vezes mais produtivos do que os seus equivalentes indianos, pelo que a produtividade nacional média da Suécia acaba por ser cerca de 50 vezes mais elevada do que a da Índia.
Uma nota final para afirmar que com este exemplo não se pretende advogar que o problema está na lei da imigração e que, por conseguintes, os países europeus deveriam abrir completamente as suas fronteiras. A imigração é uma problemática que envolve toda uma séria de outras questões, que não foram consideradas. Apenas se pretende chamar atenção o seguinte facto: o que um indivíduo recebe a título de salário não é totalmente reflexo do seu valor. Uma das forte condicionantes é o país onde se nasceu (ou seja, sorte), bem como a respectiva política de imigração desse país.
Poderia argumentar-se, por outro lado, que o condutor sueco recebe um salário superior porque possui mais «capital humano», ou seja, competências e conhecimentos acumulado por meio de educação e formação. Contudo, pouco do «capital humano» do condutor sueco adquirido no liceu será relevante para conduzir um autocarro. Ele não necessita de conhecimentos sobre cromossomas humanos ou sobre a guerra de 1809 (Suécia contra a Rússia) para conduzir bem o seu autocarro. Assim, o «capital humano» adicional do condutor sueco não é razão pela qual ele recebe um salário 50 vezes superior ao condutor indiano.
O principal motivo por que o condutor sueco tem uma remuneração 50 vezes superior à do condutor indiano é o proteccionismo – os trabalhadores suecos estão protegidos da concorrência dos trabalhadores da Índia e de outros países pobres, graças à restrições à imigração. Teoricamente, não existe nada que impeça que todos os condutores de autocarro suecos sejam substituídos por indianos ou chineses. A maior parte destes estrangeiros ficaria satisfeita com uma fracção do salário que os trabalhadores suecos recebem, ao mesmo tempo que todos eles seriam capazes de desempenhar a função igualmente bem, ou até melhor. E não apenas os trabalhadores com baixas qualificações como empregados de limpeza ou varredores de rua. Existem muitos engenheiros, bancários e programadores informáticos disponíveis em Xangai, Nairobi ou Quioto capazes de substituir os seus congéneres em Estocolmo, Linköping e Malmö. Porem, estes trabalhadores não podem entrar no mercado de trabalho sueco devido às restrições à imigração. Consequentemente, os trabalhadores suecos conseguem ter salários 50 vezes superiores aos dos trabalhadores indianos, apesar de muitos deles não apresentarem produtividadess mais elevadas.
A questão seguinte que se pode colocar é como é Suécia consegue pagar 50 vezes mais aos seus condutores de autocarro, comparativamente à Índia, quando o diferencial de produtividade não o justifica. Não sendo uma resposta fácil, pode-se sempre dizer que o condutor de autocarro sueco partilha o seu mercado de trabalho com outras pessoas que são muito mais do que 50 vezes mais produtivas que os seus congéneres indianos. Ou seja, alguns suecos – gestores de topo, cientistas e engenheiros em empresas líderes a nível mundial – são centenas de vezes mais produtivos do que os seus equivalentes indianos, pelo que a produtividade nacional média da Suécia acaba por ser cerca de 50 vezes mais elevada do que a da Índia.
Uma nota final para afirmar que com este exemplo não se pretende advogar que o problema está na lei da imigração e que, por conseguintes, os países europeus deveriam abrir completamente as suas fronteiras. A imigração é uma problemática que envolve toda uma séria de outras questões, que não foram consideradas. Apenas se pretende chamar atenção o seguinte facto: o que um indivíduo recebe a título de salário não é totalmente reflexo do seu valor. Uma das forte condicionantes é o país onde se nasceu (ou seja, sorte), bem como a respectiva política de imigração desse país.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Algumas notas sobre as Agências de Rating
As agências de rating (Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch) têm sido um dos temas mais falados desde que começou a crise das dívidas soberanas. A actividade mais visível das agências é atribuição de notas, que reflectem a probabilidade do devedor entrar em incumprimento e, por isso, são uma forma de todos os potenciais investidores “subcontratar” as necessárias diligências de análise de risco de crédito.
A ascensão das agências de rating começou na década de 1930. Nos primeiros anos, eram os investidores, e não os emitentes (devedores), que lhes pagavam para avaliar potenciais investimentos. Este modelo de funcionamento apresentava algumas debilidades, em parte porque as análises efectuadas para um investidor podiam ser facilmente passadas para outros investidores, sem que representasse alguma receita adicional para as agências. Entretanto, os reguladores federais norte-americanos começaram a utilizar as notações das agências para avaliar a qualidade das obrigações detidas pelos bancos. Este “carimbo” de aprovação governamental ajudou a cimentar a influência das agências de rating.
Com a crise da década de 1970, os incumprimentos das obrigações aumentaram substancialmente, o que tornava cada vez mais necessário a existência de avaliações de risco independentes. Assim, em 1975 a SEC (Security and Exchange Commission), criou uma categoria conhecida como Nationally Recognized Statistical Rating Organization (NRSRO). É um tipo de certificado garantia, já que as únicas notações reconhecidas pelas autoridades governamentais/supervisão/regulação eram as provenientes das agências com esse estatuto. A SEC reconheceu inicialmente sete agências, que após várias fusões se reduziram às três mundialmente conhecidas, se bem que a SEC tenha, posteriormente, conferido essa designação a mais algumas agências bastante menos conhecidas. Em simultâneo com a criação do NRSRO, a SEC exigiu que quem emitisse dívida tinha de obter uma classificação de uma dessas agências. Estes dois factores contribuíram, largamente, para alteração do modelo de negócio das agências, começando a vender os seus serviços aos emissores de dívida e não aos investidores. Na década de 1980, a transição estava completa: agora, eram os emissores de dívida que pagavam pelas notações.
Este modelo, como qualquer modelo, tem os seus problemas. Por um lado, como é o emitente a pagar, este pode contratar a agência que lhe atribua melhor notação. Assim, cada vez mais as agências tinham interesse em dar aos clientes o que eles queriam, ou seja, a melhor notação possível. Por outro lado, as agências começaram a gerar receitas de outras fontes que entram em conflito com a da notação de risco de crédito. Um banco que organizava um produto financeiro estruturado dirigia-se a uma das agências e pagava para receber conselhos sobre como criar esse produto de forma a obter a melhor classificação possível da própria agência a que o banco pagaria para avaliar os seus títulos. Este é um serviço de consultadoria. Não deixa de parecer um pouco como um professor aceitar uma comissão em troca de dizer aos alunos como conseguirem 20 valores num exame.
Muitas propostas e sugestões têm sido apresentadas com o objectivo de alterar o poder, a forma de funcionamento e responsabilidade das agências de rating. Brevemente, apresentaremos três dessas propostas. Uma primeira será a proibição das agências poderem ser simultaneamente consultores e avaliadores. Estas duas funções trazem consigo conflitos de interesse. Mesmo existindo regras muito rígidas no papel a proibir a comunicação entre quem faz consultadoria e quem faz avaliação de risco de crédito, facilmente e frequentemente não são respeitadas. Assim, a solução passar por impor uma total separação dessas duas actividades. Uma segunda ideia, será tentar aumentar a concorrência no mercado de notação, seja através da diminuição das barreiras à entrada, seja através da diminuição do poder das actuais agências. Em relação a este último aspecto, chama-se atenção para uma das recomendações constantes do relatório do senado norte-americano “Wall Street and The Financial Crisis: Anatomy of a Financial Collapse”, publicado em Abril do corrente ano. Nesse relatório é defendido que os regulamentos federais das várias entidades reguladores devem reduzir a importância das notações atribuídas pelas várias agências de rating. Esta sugestão vai muito no sentido das críticas feitas ao Banco Central Europeu, porque os critérios de aceitação de títulos com colateral nas suas operações de créditos estão indexados exclusivamente às notações das três principais agências de rating. Por fim, uma outra sugestão apresentada nesse relatório, é a SEC efectuar um raking de performance das várias agências, fundamentalmente tendo em conta a exactidão das suas notações. Esta sugestão é, em nossa opinião, uma falácia. A literatura demonstra que os research sobre evolução dos mercados bolsitas, efectuados por diferentes bancos de investimentos, tendem a ser muito semelhantes entre si. Isto é uma forma dos bancos de investimentos se protegerem mutuamente contra evoluções não previstas nos mercados. Da mesma forma, as notações atribuídas pelas várias agências tendem a ser muito iguais, pelo que fazer um raking é algo inútil.
Estas breves sugestões, e muitas outras podiam ser apresentadas, são bem reveladoras das dificuldades em reformar as agências de rating. Por outro lado, apesar de todas as críticas que se possam fazer, continuam a ser um elemento essencial para o funcionamento dos mercados financeiros.
A ascensão das agências de rating começou na década de 1930. Nos primeiros anos, eram os investidores, e não os emitentes (devedores), que lhes pagavam para avaliar potenciais investimentos. Este modelo de funcionamento apresentava algumas debilidades, em parte porque as análises efectuadas para um investidor podiam ser facilmente passadas para outros investidores, sem que representasse alguma receita adicional para as agências. Entretanto, os reguladores federais norte-americanos começaram a utilizar as notações das agências para avaliar a qualidade das obrigações detidas pelos bancos. Este “carimbo” de aprovação governamental ajudou a cimentar a influência das agências de rating.
Com a crise da década de 1970, os incumprimentos das obrigações aumentaram substancialmente, o que tornava cada vez mais necessário a existência de avaliações de risco independentes. Assim, em 1975 a SEC (Security and Exchange Commission), criou uma categoria conhecida como Nationally Recognized Statistical Rating Organization (NRSRO). É um tipo de certificado garantia, já que as únicas notações reconhecidas pelas autoridades governamentais/supervisão/regulação eram as provenientes das agências com esse estatuto. A SEC reconheceu inicialmente sete agências, que após várias fusões se reduziram às três mundialmente conhecidas, se bem que a SEC tenha, posteriormente, conferido essa designação a mais algumas agências bastante menos conhecidas. Em simultâneo com a criação do NRSRO, a SEC exigiu que quem emitisse dívida tinha de obter uma classificação de uma dessas agências. Estes dois factores contribuíram, largamente, para alteração do modelo de negócio das agências, começando a vender os seus serviços aos emissores de dívida e não aos investidores. Na década de 1980, a transição estava completa: agora, eram os emissores de dívida que pagavam pelas notações.
Este modelo, como qualquer modelo, tem os seus problemas. Por um lado, como é o emitente a pagar, este pode contratar a agência que lhe atribua melhor notação. Assim, cada vez mais as agências tinham interesse em dar aos clientes o que eles queriam, ou seja, a melhor notação possível. Por outro lado, as agências começaram a gerar receitas de outras fontes que entram em conflito com a da notação de risco de crédito. Um banco que organizava um produto financeiro estruturado dirigia-se a uma das agências e pagava para receber conselhos sobre como criar esse produto de forma a obter a melhor classificação possível da própria agência a que o banco pagaria para avaliar os seus títulos. Este é um serviço de consultadoria. Não deixa de parecer um pouco como um professor aceitar uma comissão em troca de dizer aos alunos como conseguirem 20 valores num exame.
Muitas propostas e sugestões têm sido apresentadas com o objectivo de alterar o poder, a forma de funcionamento e responsabilidade das agências de rating. Brevemente, apresentaremos três dessas propostas. Uma primeira será a proibição das agências poderem ser simultaneamente consultores e avaliadores. Estas duas funções trazem consigo conflitos de interesse. Mesmo existindo regras muito rígidas no papel a proibir a comunicação entre quem faz consultadoria e quem faz avaliação de risco de crédito, facilmente e frequentemente não são respeitadas. Assim, a solução passar por impor uma total separação dessas duas actividades. Uma segunda ideia, será tentar aumentar a concorrência no mercado de notação, seja através da diminuição das barreiras à entrada, seja através da diminuição do poder das actuais agências. Em relação a este último aspecto, chama-se atenção para uma das recomendações constantes do relatório do senado norte-americano “Wall Street and The Financial Crisis: Anatomy of a Financial Collapse”, publicado em Abril do corrente ano. Nesse relatório é defendido que os regulamentos federais das várias entidades reguladores devem reduzir a importância das notações atribuídas pelas várias agências de rating. Esta sugestão vai muito no sentido das críticas feitas ao Banco Central Europeu, porque os critérios de aceitação de títulos com colateral nas suas operações de créditos estão indexados exclusivamente às notações das três principais agências de rating. Por fim, uma outra sugestão apresentada nesse relatório, é a SEC efectuar um raking de performance das várias agências, fundamentalmente tendo em conta a exactidão das suas notações. Esta sugestão é, em nossa opinião, uma falácia. A literatura demonstra que os research sobre evolução dos mercados bolsitas, efectuados por diferentes bancos de investimentos, tendem a ser muito semelhantes entre si. Isto é uma forma dos bancos de investimentos se protegerem mutuamente contra evoluções não previstas nos mercados. Da mesma forma, as notações atribuídas pelas várias agências tendem a ser muito iguais, pelo que fazer um raking é algo inútil.
Estas breves sugestões, e muitas outras podiam ser apresentadas, são bem reveladoras das dificuldades em reformar as agências de rating. Por outro lado, apesar de todas as críticas que se possam fazer, continuam a ser um elemento essencial para o funcionamento dos mercados financeiros.
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