quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Onde está o PSD

DIREITA E ESQUERDA
Onde está o PSD?

As eleições de domingo vieram a aprofundar a crise existencial que o PSD vive desde 1995.
Tirando o período em que o Governo do Eng.º António Guterres se perdeu no pântano, Fevereiro de 2002, o PSD nunca mais foi capaz de constituir um governo de maioria parlamentar.
Esta experiência governamental correu mal. Durão Barroso preferiu Bruxelas e a Presidência da Comissão e Santana Lopes nunca conseguiu fazer um governo estável e coerente.
Começou a corrida à liderança do PSD. Inevitavelmente não vamos ter só um candidato. Ao lado de Pedro Passos Coelho vai surgir mais alguém.
Paulo Rangel? Marcelo Rebelo de Sousa? Nuno Morais Sarmento? Estou convicto que será por aqui.
Será mais fácil contestar a liderança nacional. Mas não deve o PSD avaliar a sua estrutura distrital e local. ?
Não deve o PSD equacionar se o problema é do líder ou do partido.? É certo que no CDS/PP ou no Bloco o líder faz o partido.
Não vai o PSD viver um período difícil. Lembram-se da “teoria da bolsa do camelo” de Adelino Amaro da Costa que Sá Carneiro combateu?
Romper com o cavaquismo não tem mal se rompermos mesmo com todos os cavaquistas.
Ao nível distrital ou local o PSD tem de alterar o seu comportamento. Abrir à sociedade civil, aos independentes, aos líderes de opinião, enfim fazer uma campanha aberta como nas europeias.
Afinal, o balanço do ciclo vai ser positivo. Ganhar as europeias e as autarquias mostra bem a importância das pessoas. MFL fica claramente ligada à primeira das eleições pese embora as criticas à escolha do seu cabeça de lista.
Nos próximos 4 anos o PSD vai ter de aprender a estudar e trabalhar todos os dias.
Fazer politica é acção.
Até lá as eleições presidenciais serão o primeiro estudo.
Depois é preciso não esquecer que dentro de 4 anos grande parte das autarquias vai mudar as suas lideranças. É certo que há quem diga que é mais fácil mudar a lei. Não acredito.
A responsabilidade é de todos, mesmo daqueles que se enganam e gostam de estar com os vencedores.
Precisamos de uma nova cultura de partido.
Uma cultura aberta e sem medo. Afinal, muitas vezes a asfixia democrática está à nossa porta………

António Tavares

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

palha....

Hoje ao ler as noticias lembrei-me da musica Help dos Beatles pois o número três do partido de Portas à Câmara de Moura foi apanhado pela GNR. Estaria a desviar palha de uma herdade...

Palha? Candidato? Onde estao os principios eticos e morais do individuo?
O que é isto? Sera que ja vivemos num terceiro mundo?

ate ao proximo post
adriana

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

"A Europa, Portugal e o Modelo Social Europeu" com o Dr. Silva Peneda - Intervenções



Luis Artur

Na introdução do debate, Luis Artur começou por apresentar e justificar a actividade do Porto Laranja a Silva Peneda. “Porque o PSD é hoje um Partido fechado aos militantes, onde o debate é escasso, entendemos que seria possível fazer política e cidadania também fora do partido, sem deixar de o fazer dentro do partido”. “Procuramos neste espaço de liberdade e de participação que cada um expresse exactamente aquilo que pensa, ajudando o Partido Social Democrata a encontrar e a construir soluções, seja ao nível da governação do país, seja ao nível autárquico”, acrescentou.
Enfatizou o tema em debate: “Não nos podemos esquecer que somos um Partido Social Democrata e, como tal, a questão social, seja na Europa ou em Portugal, é sempre uma questão fundamental e estará sempre na linha da frente das nossas preocupações”. A propósito, citou Francisco Sá Carneiro: “é necessário melhorar as condições de vida daqueles que menos voz têm e, sobretudo, daqueles que mais precisam”.


Carlos Brito

Também Carlos Brito começou por dar um contexto ao Porto Laranja. Para o efeito, recordou um recente título do Público que anunciava o falecimento do sociólogo e politico alemão Ralf Dahrendorf: “Morreu um verdadeiro liberal” e citou João Carlos Espada, seguidor de Dahrendorf: “O fundamental no seu pensamento é a liberdade e a causa da liberdade, que também não corresponde a uma corrente, uma voz, um partido particular, mas antes a uma conversação constante entre várias vozes, em que o essencial é manter o equilíbrio." Segundo Carlos Brito, é o mesmo pensamento que norteia o Porto Laranja: “É aquilo que nos traz aqui. Nós aqui chegamos ao princípio que não é necessário uma verdade única mas é antes oportuno que as pessoas cruzem as ideias, as suas verdades”.

Já na introdução ao tema em debate, Carlos Brito sugere que os portugueses tornaram-se “europeus” e passaram, por isso, a sofrer mais directamente das maleiras dos outros, e, tal como eles, a observar o seu futuro perante ameaças económicas e sociais, com a parcelarização excessiva e a rarefação do trabalho, com a degradação dos serviços de saúde, com a crescente influência das cidades, com os conflitos entre os velhos europeus de origem e os novos europeus imigrados e com os atentados às liberdades em nome da segurança.
Tudo isto, acrescenta, potenciado por técnicas de comunicação social que, com vista à consolidação de poderes, promovem a pressão e a manipulação, remetendo os cidadãos para o papel de espectadores desinformados e fragilizados.

Carlos Brito referiu-se depois à “crise da relação social, em que a família desintegra-se, as uniões de pessoas fragilizam-se, os serviços públicos são postos em causa, a participação igual relativiza-se, a delinquência aumenta, os problemas de relação de culturas tornam-se preocupantes e em alguns casos explosivos, e a solidão aparece sábia”. Segundo Carlos Brito, após a era da primeira modernidade marcada pela nossa emancipação, estaremos agora perante uma segunda era de modernidade, a da diferenciação. “Queremos ser todos diferentes. Procuramos a mobilidade e a maior liberdade de escolha. Gera-se um individualismo passivo dos cidadãos face a um estado autoritário. Os cidadãos crescem nas exigências e recusam-se a participar activamente à luz da sociedade civil. O estado deixa de ter qualquer contrapeso emancipador democrático nos cidadãos e nos seus projectos. À solidariedade resta a ligação civil entre todos os concidadãos pertencentes ao mesmo estado”.

Perante a diversidade de sistemas de protecção social que reconhece caracterizar os estados no seio da União Europeia, Carlos Brito finalizou a intervenção questionando se “há verdadeiramente uma Europa Social” e, face à crise, como esta poderá evoluir “Vamos continuar a ter a muito discreta Europa social que temos hoje, vamos reforçá-la ou mitigá-la?”


Silva Peneda

Silva Peneda começou por referir-se às “raízes que nos fizeram chegar a esta Europa social”. “A adesão de Portugal à União Europeia pressupôs o comprometimento com os valores que estão na génese do projecto europeu, assumidos no pós 2ª guerra mundial: a paz, a liberdade, a democracia, o respeito pelos direitos humanos e a igualdade, entre outros. O Modelo Social Europeu acaba por ser o conjunto destes valores, partilhados por todos os estados membros, embora aplicados de acordo com quatro modelos diferentes – o nórdico, o continental, o anglo-saxónico e o mediterrânico. Estes valores têm tal força aglutinadora que de seis estados membros iniciais junta hoje vinte e sete. Há milhões de europeus que desta forma conquistaram a liberdade”, salientou, elogiando “uma geração que trabalhou no sucesso da construção da Europa de tal forma que estes valores são hoje considerados indiscutíveis pelas novas gerações”.

Silva Peneda perspectiva uma Europa diferente no futuro, consequência, entre outros, de factores demográficos – aumento da esperança de vida, que envelhece a população europeia – e realça a necessidade de adaptação das actuais políticas públicas, “a começar pela segurança social, mas também das políticas fiscais, de educação, de segurança”. Referiu-se em particular à reforma da Segurança Social promovida em Portugal pelo actual governo socialista. Do seu ponto de vista, o resultado alcançado foi meramente financeiro “O bolo vai ser o mesmo e haverá mais clientes para o mesmo bolo”, referiu. Desmente os que acusam o PSD de querer privatizar a Segurança Social. “O que o PSD sempre defendeu foi a criação de esquemas complementares à Segurança Social, o que nada tem a ver com privatizá-la. Tem a ver sim com garantir outras formas das pessoas manterem no final da sua vida activa o mesmo poder de compra que possuíram durante toda a vida de trabalho”.

Silva Peneda falou da globalização. “Nunca vivemos uma época em que o ritmo de mudança fosse tão grande – no passado, as mudanças eram quase programadas”. Mostrou, com exemplos, como no mesmo espaço europeu a globalização teve efeitos completamente distintos. “Na indústria têxtil, muitas empresas instaladas no Norte de Portugal perderam a sua produção para o oriente, ao mesmo tempo que muitas empresas industriais na Europa, pelo mesmo motivo, venderam maquinaria para a instalação de novos produtores, beneficiando dessa deslocalização”. Lembrou que em resposta a estas perdas e ganhos regionais, “a União Europeia criou instrumentos financeiros que visam atenuar os desequilíbrios sociais provocados pelo fenómeno da globalização – fundo europeu de desenvolvimento regional, por exemplo – apesar de nem sempre com os melhores resultados”. Por isso, adianta, “a União Europeia tem convivido mal com a globalização”, justificando, “do ponto de vista externo, faz sentido que as trocas possam ser livres, mas tem que haver regras e todos têm que cumprir essas regras. O que acontece é que alguns fazem batota, como é o caso da China, sendo essa batota muitas vezes permitida por interesses da própria União Europeia, nomeadamente interesses dos importadores, das grandes cadeias de distribuição e, em ultimo caso, dos consumidores”. Adverte que “dentro de 20 anos, o Brasil, a Rússia, a Índia e a China representarão metade da riqueza do mundo”. “Estados com problemas sociais complicados”, salienta. “Nós conseguimos competir com quem produz com salários mais baixos, mas não conseguimos competir com quem não tem quaisquer preocupações sociais e ambientais, por exemplo”. Silva Peneda entende, por isso, que “o maior desígnio da Europa deverá ser promover a paz no mundo, forçando esses países a incorporar no seu modelo social os valores e referências fundamentais do modelo social da Europa”.

Silva Peneda enunciou depois alguns indicadores económicos da OCDE que descrevem uma preocupante performance de Portugal no seio da União Europeia. Com base nesses dados, realçou o crescimento económico de Portugal nos últimos anos inferior ao dos antigos estados membros (ao contrário do que aconteceu entre 1985 e 1995) e, pior, muito inferior ao dos novos estados membros, que são os principais competidores de Portugal. Em matéria de desemprego, regista um “problema muito sério de perda de confiança”. A actual crise, refere, “para além de financeira, económica e social, é também de confiança, não só dos agentes económicos mas também dos próprios trabalhadores”. Segundo previsões da OCDE, a taxa de desemprego em Portugal atingirá em 2010 os 11,3%, o que significa mais de 600.000 desempregados. Realçou ainda a diminuição do PIB e o aumento das desigualdades sociais em Portugal, em comparação com a média da União Europeia.

Silva Peneda falou do Norte de Portugal. “Aquela que era uma das regiões mais industrializadas da Europa é hoje uma das mais pobres. Em termos de rendimento per capita é 234ª em 275 regiões e é a que regista os salários mais baixos”. No seu entender, “esta situação deve-se ao facto de o Norte de Portugal ter tido sempre a sua base económica assente na produção de bens transaccionáveis, que aproveitando a desvalorização da moeda, a tornou numa forte região exportadora”. Com a moeda única, alterou-se o paradigma. Considera que em comparação com Lisboa, o Norte sempre teve um mercado desprotegido. “Aqui não há os serviços (banca e seguros, por exemplo) que há em Lisboa e, por isso, aqui é necessário produzir e exportar. No Norte vivem 2/3 da população do país e se as condições económicas e sociais não se inverterem, vamos ter 50% da população a viver de subsídios do estado. Não se trata, por isso, de um problema bairrista ou regional mas sim de um problema nacional. E não há sensibilidade em Lisboa para perceber esta realidade”, acredita. Defende que uma estratégia para o Norte permite apresentar melhores indicadores económicos e sociais nacionais. “Se o Norte não tem meios para resolver os seus problemas, Lisboa não tem tempo sequer para os perceber. Do valor previsto para os grandes investimentos públicos, que compõem o QREN, apenas 4,6% são no Norte, nomeadamente o IP4, a plataforma logística de Leixões, o IC3 e o IC35. Estamos, por isso, perante um clara insensibilidade política e social face a uma região”.

Também em relação ao QREN, referiu-se à incompetência e incapacidade de relação do actual governo português com Bruxelas, com resultados nefastos ao nível do investimento público. “Muitos dos programas operacionais previstos para 2007 ainda nem sequer foram aprovados – estamos em meados de 2009. Também por isso, se parou a economia nacional”, acrescenta.

A finalizar a intervenção, Silva Peneda lamentou que nas passadas eleições europeias não tivesse sida contemplada nenhuma proposta que pedisse um reforço ao apoio ao investimento no Norte de Portugal, enquanto região mais desfavorecida com a globalização. “Os projectos europeus são normalmente financiados a 60, 70 ou 80%. Uma proposta de apoio extraordinário a 95% para o Norte de Portugal seria uma medida muito importante para a região e com pouco peso no orçamento comunitário”, concluiu.



Seguiu-se um debate muito participado, sendo colocadas pelos oradores diversas questões sobre o Modelo Social, a Europa e Portugal, às quais respondeu Silva Peneda, tendo salientado entre outros, a “inexistente” falta de realização do QREN, quando o país precisa fortemente de investimento, o que é inaceitável por parte do governo socialista. Voltou a chamar a atenção para a desvalorização da Região Norte, manifestando-se um convicto Regionalista.


Muito agradecemos ao Dr. Silva Peneda a sua participação neste debate do Porto Laranja.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Escândalo

A suspensão decretada pelo Conselho de Administração da TVI, do jornal nacional a ser emitido na próxima Sexta Feira, e alegadamente por no mesmo ir ser divulgada, uma peça jornalística sobre o caso “Freeport”, tem uma total ausência de sentido de oportunidade, com uma clara interferência no processo eleitoral em curso, e representa um atentado à liberdade de informação em Portugal.

Perdeu-se a vergonha…

O Primeiro Ministro deve uma explicação urgente aos portugueses.

Luís Artur

Falar Verdade

O programa eleitoral do PSD, para as próximas eleições legislativas, merece um apontamento extremamente positivo.
Directo, objectivo, e com enfoque nos reais problemas do país.
Portugal, tem estruturalmente, um problema grave, que se tem vindo a agravar, um fraco crescimento económico, aliado a um elevado défict da balança de transações correntes, que ultrapassa já o inaceitável número de 10% do PIB.
Face ao elevado endividamente, e por consequência aos crescentes encargos financeiros, da República, também o Rendimento Nacional, (a riqueza criada, que fica no país), se tem vindo a detiorar a um ritmo alarmante.
Também e a "crise" veio demonstrar, estamos longe de uma consolidação orçamental, e o cariz rigido da despesa primária, não augura, sem a coragem política necessária, para a racionalização da despesa com o pessoal, que nesta matéria se evolua, o necessário, para que seja possível aliviar o peso do estado na economia, e baixar necessáriamente a carga fiscal.
Portugal, precisa de inverter este ciclo de "pobreza" e criar as condições para um crescimento económico sustentado, e que simultâneamente através do aumento das exportações, diminua o déficit da nossa balança.
Não é com os "grandes" investimentos públicos, que se resolve esta situação, antes pelo contrário, será um "crime" insistir em medidas, que agravarão o estado empobrecedor do país em vez de resolver estes graves problemas.
O caminho, é fazer das exportações, um DESÍGNIO NACIONAL, criando o Estado condições, para que as empresas se possam desenvolver, produzir, vender, em suma criar riqueza.
O caminho é também a aposta necessária nas PMEs, geradoras de Emprego, e de Exportações.
Ao apontar como estratégico, para a política económica, o apoio às PMEs, com a elencagem de algumas medidas concretas e potenciadoras, da melhoria do Fundo de Maneio destas empresas, o programa eleitoral do PSD, toma o rumo certo.
Também as medidas anunciadas para a Justiça, são fundamentais, para a atracção de investimento, nomeadamente do investimento estrangeiro, essencial, para todo desígnio de crescimento económico que o País necessita.
O PSD através deste programa, demonstra que percebeu a real situação de Portugal e a forma como com verdade, se pretende inverter o ciclo de pobreza. Ao invés o PS, continua a não perceber...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Entregar o ouro ao bandido


Não me parece bem que a Câmara do Porto queira entregar o Bairro do Aleixo a uma empresa envolvida como suspeita nos escândalos de corrupção da Câmara de Lisboa.

Importar a corrupção da câmara da capital para a Invicta não é uma boa política.

Se a CMP quer demolir o Aleixo – e terá eventualmente legitimidade para o decidir – pois que o faça de uma forma clara e transparente. Realojando as famílias que lá vivem, o que nem é assim tão caro. Esta operação orçaria em cerca de sete milhões e meio de euros. São cerca de trezentas famílias, cujo realojamento ficaria em aproximadamente 25000 euros por família, através do recurso aos fundos do programa Prohabita, contratualizados pela Câmara em 2004. Sete milhões e meio de euros, em quatro anos, não representa nem um por cento do orçamento da Câmara. Pelo que poderiam bem fazer um jardim ou um parque naquele magnífico local fronteiro ao rio Douro.

Mas se, mesmo assim, pretendessem recuperar o capital, sempre poderiam fazê-lo da forma legal e séria, ou seja, promovendo uma hasta pública, com uma valor base de licitação de… sete milhões e meio de euros; a que todo e qualquer privado poderia ter acesso.

Entregar o ouro (terreno municipal junto ao rio) ao bandido é que não me parece bem.


Paulo Morais


13 de Agosto 2009

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Referência do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa

"Livro Porto D'Ideias"

Agradeço ao Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, a sua referência, à publicação do Livro "Porto D'Ideias", na sua coluna semanal do jornal SOL.

"PORTO D’IDEIAS. Publicação do Porto Laranja, Grupo de Intervenção Política. Prefaciador, o ex-líder Luís Filipe Menezes. Animador, Luís Artur Ribeiro Pereira. Sinal do pluralismo inato do PSD. Mesmo que não se concorde com muitas das ideias."

Luis Artur

PSD, um Partido partido

Eis a cronologia última de um Partido, partido.

Maio de 2008. Pedro Passos Coelho concorreu à liderança do PPD/PSD contra Manuela Ferreira Leite e Pedro Santana Lopes. Obteve, então, mais de 13.500 votos, aproximadamente 31% do resultado eleitoral (Manuela Ferreira Leite foi eleita lider com 37% dos votos, apenas mais 3.800 que Pedro Passos Coelho). O Partido ficou, pelo menos no entender da direcção eleita, mais por cento, menos por cento, partido em três.

Após eleições, Pedro Passos Coelho, bem, não desistiu dos valores e princípios que estiveram na base da sua candidatura. Manteve-se um militante activo e fez importante trabalho político. Lançou a Plataforma de Reflexão Estratégica “Construir Ideias” , especialmente orientada para o fomento da ciência política e o estudo do desenvolvimento das políticas públicas. Apresentou propostas nas áreas do desenvolvimento urbano, da competitividade, da Política Externa, da Qualificação, Inovação e Bem-Estar Social, da Segurança e da Justiça. Defendeu um Estado menos interventor na economia e uma maior valorização da participação da Sociedade Civil. Pedro Passos Coelho relançou o tão debilitado debate ideológico no seio do PSD. Em oposição à lógica interesseira e aparelhistica subjacente a um suposto Governo Central, fez-nos questionar porque somos Sociais Democratas e não somos Socialistas. E fez-nos acreditar, também ele, que vale a pena defender uma social democracia reformista, tolerante e liberal!

Enquanto isso, a direcção do PSD, eleita para pensar Portugal, preferiu antes empenhar-se em preparar uma estratégia que sustentasse a sua liderança interna, assente nos seus frágeis 37% de apoio. Numa atitude absolutamente populista, cedo nomeou Pedro Santana Lopes para candidato à Câmara de Lisboa. O mesmo Santana que não mereceu, por si, o voto de Manuela Ferreira Leite em 2005, que não servia para lider parlamentar na direcção anterior e que fora apelidado de populista e demagogo na campanha para as directas, revelava-se agora para Manuela Ferreira Leite e seus pares o melhor candidato para recuperar a Câmara de Lisboa. Um presente envenado? Talvez. Uma negociata? Concerteza! Manuela Ferreira Leite pensou calar assim um terço do Partido e, em certo modo, conseguiu. Mas faltava calar o outro terço, de que Pedro Passos Coelho era protagonista. Um problema mais delicado, pois Manuela sabia que nenhum lugar compraria a alma, os valores nem os princípios a Pedro Passos Coelho. Porque, ao contrário de Santana, Pedro Passos Coelho não é passado. É presente e é futuro.

Assim, sem negociata possível, a direcção do Partido tinha dois caminhos. Ou aceitava democraticamente as diferenças que distinguem Pedro Passos Coelho e, numa perpectiva aberta, tolerante e plural do Partido, convidava-o para lugar de destaque nas listas às legislativas de Setembro, ou, por outro lado, eliminava todo o palco potencial a Pedro Passos Coelho.

Julho de 2009. A Distrital de Vila Real, de onde Pedro Passos Coelho é natural, indicou o seu nome para cabeça de lista pelo Distrito às eleições legislativas. O nome de Pedro Passos Coelho foi aprovado por 80% dos seus membros. O próprio, bem, tinha já admitido que só seria candidato a deputado, se eleito pelo seu Distrito.

Agosto de 2009. A direcção do PSD entende encher as listas de candidatos a deputados com os nomes dos seus amigos. Todos os seus indefectíveis apoiantes lá têm lugar. Do marxista-leninista Pacheco Pereira, aos arguidos António Preto e Helena Lopes da Costa, passando pela ultra-conservadora (e apoiante de António Costa!) Maria José Nogueira Pinto, nenhum amigo é excepção. Estão todos lá, independentemente de terem ou não qualquer ligação ao Distrito por onde se candidatam. Prevalece o critério da “lealdade” para com a líder, um slogan que pegou moda no PSD e que vai servindo de mote para, aqui e ali, se nomear os amigos. Os melhores amigos!

Por outro lado, numa lógica verdadeiramente revanchista, a direcção do Partido excluiu das listas indicadas pelas Distritais todos os militantes que dela discordam ou, em algum tempo, discordaram. Segundo os pseudo-aristocratas que dirigem o Partido, Pedro Passos Coelho, por exemplo, não tem condições para ser deputado (apesar de mais de 13.500 militantes entenderam que o mesmo Pedro Passos Coelho seria o melhor líder do Partido e, em consequência, o melhor primeiro ministro de Portugal). Foi “uma decisão política”, sustentaram. Uma decisão política fundamentalista e anti-democrática, acrescento! Lamentando a decisão, Pedro Passos Coelho lembrou que “ser Presidente do PSD não é ser dono do PSD”. Uma apreciação, aliás, que merece a minha absoluta concordância, em qualquer tempo, lugar e circunstância!

Maio de 2010. Realizam-se novas eleições directas para a liderança do PPD/PSD.


Nota: Importa que se perceba que o que está em causa nunca é a presença ou ausência de qualquer militante em qualquer lista. O que está em causa são os critérios de inclusão ou exclusão. E estes, que no PSD se vão praticando, parecem-me perfeitamente errados. Pelo menos, num partido que se diz, e se quer, Democrata.


Luis Proença

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

“Unidade”

Portugal vive hoje uma crise económica e social profunda, com um governo desorientado e sem capacidade de resposta, para a resolução dos problemas do País e dos Portugueses.

Mas Portugal, sinal dos tempos, vive hoje uma situação bem mais grave, que é o evoluir de uma crise politica e do próprio sistema democrático, com uma desconfiança crescente dos portugueses em relação à política, aos partidos representativos e aos políticos em geral, como entre outros sinais, bem atesta, o nível de abstenção elevado e crescente.

Ao PSD, que tem como responsabilidade ser a única alternativa possível e credível para a governação, exige-se que seja exemplarmente democrático no seu interior, dando um exemplo ao País, de regeneração da vida política.

Infelizmente, não foi o que se passou na recente escolha, das listas de deputados e também no Porto, tudo o indica, falou mais alto, a voz do “aparelho” e a defesa de interesses pessoais. Por isso, sou cada vez mais favorável, a eleições primárias que devolvam às bases, a livre escolha dos seus representantes.

Excluir, da lista de deputados, entre outros, Pedro Passos Coelho, que perdeu as ultimas eleições para a liderança do PSD, por uma pequena margem, e que representa uma parte significativa das bases do partido, é uma atitude mesquinha, intolerante e um mau sinal para o eleitorado.

E pior de tudo, o critério, que “começa” a fazer escola no PSD, “ foram escolhidos os que dão mais garantias de apoio ao líder” e “uns dão mais que outros”. Como nós conhecemos bem este critério no Porto…

Numa altura, de crise grave, em que o País precisa do PSD unido e capaz de concretizar o que verdadeiramente interessa aos portugueses: medidas e políticas que sejam um sinal de esperança, de melhoria das condições de vida e de justiça social, era bem melhor que o critério fosse o da competência.

É bom que esta “escola de aparelho”, “de quem não é por mim é contra mim”, termine de vez, pois todos somos militantes do PSD e os nossos adversários, não estão no interior do partido.


E aqueles, que vêm agora reclamar unidade, deveriam saber que a união se constrói, gerando consensos entre todos. E por favor não confundam unidade com unicidade.

Por Portugal, mas também por um PSD, que acredito à imagem de Francisco Sá Carneiro, não daremos a outra face, mas contribuiremos para que em união seja possível recuperar a confiança dos Portugueses.

O dia seguinte já começou… espero que, e apesar de tudo, por Portugal e por uma governação reformista a pensar nos portugueses.

Luís Artur

As nossas listas

A Dra. Manuela Ferreira Leite fez as listas de candidatos a deputados à Assembleia da República. As suas listas são agora as listas do PSD, isto é as nossas listas.

Não concordo com a opção de deixar de fora o Pedro Passos Coelho, o Miguel Relvas ou o Feliciano Barreiras Duarte como também não concordei quando os nomes eram os do Pacheco Pereira ou o Duarte Lima.

Penso que o PSD precisa de todos aqueles que tem um curriculum de credibilidade para ganhar Portugal. Foi assim em 1987 e 1991. Crescemos. Sabendo abrir umas vezes mais à direita, outras mais à esquerda.

Esta é uma lição de pluralidade do PSD.

Um quadro de referências políticas apostando no reformismo da sociedade portuguesa com uma matriz de apoio à iniciativa privada, com preocupações sociais e uma forte vontade de mudança.

O último artigo de José Sócrates, no JN, revela uma pobreza de ideias cuja referência ao salazarismo evidencia o estado a que o PS chegou. Um deserto de ideias e um amontoado de palpites e subsídios.

Os próximos tempos vão obrigar a um PSD unido e coeso.
Um PSD que também tem de compreender que deve continuar unido e coeso a seguir às eleições.
Resta saber se todos estão para aí virados. Os que apoiam a Dra. Manuela Ferreira Leite e os outros.
Unidade não quer dizer unicidade. Coesão não implica disciplina.

Tenho pena que o Prof. Luis Lobo Fernandes tenha saído. É indiscutivelmente um valor da sociedade civil e da academia. É um homem livre e adepto do politicamente incorrecto.
O seu grito deve ser interpretado como um desabafo de muitos eleitores do PSD que não compreenderam a atitude da Dra. Manuela Ferreira Leite.

Eu também não compreendi, mas pelo menos procuro encontrar um critério: arguidos só os nossos.

António Tavares

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O apelo ao voto


Entendo que deve ser uma meta de todos os cidadãos, nomeadamente dos filiados em partidos politicos, apelar ao voto consciente de todos os portugueses. Claro que, nesse ambito, entendo que as juventudes partidárias tem um papel importante na sensibilização dos jovens para o exercicio de voto. Mais, até vou mais longe, afirmando que estas devem esclarecer os jovens quanto ao recenseamento eleitoral. Sem dúvida que a JSD cumpriu esse objectivo. No entanto, sou levada a criticar o flyer que apela ao voto... Será que não existem formas mais apelativas, mais construtivas, mais claras e concisas para este apelo? Questiono-me se todos os jovens vão perceber a referida mensagem. Assim sendo, seguindo principios democraticos, ilustro este texto com o respectivo flyer. Fico a espera das vossas opiniões... porque posso sempre ser eu que estou a ver mal.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Um mote para a campanha nacional

A passagem da futura linha do TGV Porto-Vigo por Ponte de Lima, está a ser alvo de forte contestação por parte do PSD local, consciente do nulo benefício para o concelho de um enorme canal que o rasgará ao meio. Milhares de limianos ostentam este autocolante, numa analogia à contestação de outrora ao nuclear.
Hoje o potencial de danos ambientais, paisagisticos e sobretudo financeiros já não provém do nuclear, mas deste elefante branco que Sócrates quer à viva força importar.
Dado que o TGV será tema inevitável na campanha para as legislativas, porque não "nacionalizar" esta ideia?
TGV em Portugal? NÃO, obrigado!

sábado, 25 de julho de 2009

Duas Pequenas Propostas para o Programa do PSD no Porto

Com o aproximar dos actos eleitorais torne-se cada vez mais premente que os partidos/candidaturas apresentem as suas propostas. Igualmente, todos os cidadãos e, em particular, os militantes de cada um dos partidos devem também emitir sugestões/ideias sobre os tópicos que considerem mais importantes. No âmbito deste espírito apresenta-se, seguidamente, duas breves sugestões para o programa do PSD à Câmara Municipal do Porto (CMP).

O Dr. Rui Rio afirmou, recentemente, que uma das prioridades para o próximo mandato é a melhoria dos factores de competitividade da cidade do Porto. É algo de essencial para a cidade como também para a região Norte, sendo a região que mais tem perdido em relação a todo o resto de Portugal (por exemplo, a maior taxa de desemprego e o menor rendimento per capita). Um dos factores de competitividade é a capacidade de inovação, muito associado à qualidade de capital humano (ensino e formação). Ora, para se conseguir melhorar a excelência educativa e, simultaneamente, conseguir que os alunos aprendam e investiguem disciplinas científicas e tecnológicas, sugere-se a criação de prémios e concursos que premeiem a criatividade e a inovação. Actualmente já existem, por exemplo, prémios nacionais aos alunos com melhor desempenho no secundário. A CMP poderia criar concursos/prémios com os mais diferentes objectivos e aos mais diferentes níveis de ensino (básico, secundário e universitário).

A segunda sugestão também se dirige às escolas mas poderá ser utilizada como instrumento de reforço da coesão social, nomeadamente ao nível de bairros sociais. Consiste em CMP criar apoios para que alunos de determinadas escolas, ou jovens de determinados Bairros em colaboração com companhias de teatro, entidades cinematográficas ou a televisão, pudessem criar, implementar e apresentar pequenos projectos culturais. Isto permitiria que os jovens, funcionando como verdadeiros parceiros dos profissionais desses ramos (actores, músicos, cenógrafos, ou técnicos), pudessem ter contacto com realidades distantes do seu dia-a-dia, e assim, conseguissem tomar uma melhor decisão sobre o seu futuro profissional.

São apenas duas pequenas sugestões, não estando analisada a sua exequibilidade nem a forma ideal de implementar. Obviamente, que teriam que estar sujeitas à disponibilidade orçamental da CMP, o que na actual conjuntura não será fácil. Mas não obstante, aqui ficam as ideias.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Uma opinião sobre Porto d'Ideias

Porto d’ideias

Aproximam-se as férias. No entanto múltiplos vectores, que passeiam pela nossa sociedade de informação, como a crise ou a gripe A não me deixam escolher com veleidade o sitio ideal para relaxar e conviver com os amigos.
Convencida que é imperioso encontrar um destino, aproveito um domingo solarengo numa esplanada para realizar uma busca pelos diversos sites de viagens. Depois de muito procurar, eis que chego a algumas conclusões: não sairei do país e fugirei do Algarve.
Continuei a procurar por terras de Portugal e eis que encontro uma terra de nome São Martinho do Porto.
As fotos fascinam-me, os textos deliciam-me e não resisto a marcar lá a minha semana de descanso, praia e convívio.
Para quem desconhece, a baía de S. Martinho do Porto é o último vestígio de um antigo Golfo que até ao século XVI se estendia a Alfeizerão e que se abre ao Oceano através de uma barra, com cerca de 250 metros de largura, entre os morros de Santana, a Sul, e do Farol, a Norte. Na Avenida Marginal, centro cosmopolita da vila, multiplicam-se as esplanadas, lojas, bares e restaurantes quase todos especializados nos sabores do mar: a lagosta suada, a santola recheada, o lavagante, o robalo, as douradas e o linguado grelhado ou a sardinha assada.
A verdade é que a palavra Porto me "persegue" pois diariamente vive no meu trabalho, no meu domicilio, nas minhas obrigações, nos meus momentos de inspiração, em alturas de alegria ou tristeza e agora também nas minhas férias. A perseguição da palavra em questão, recordou-me o lançamento de um livro que fui na semana ulterior no emblemático café Majestic. O nome do livro é Porto d'Ideias e é escrito por um conjunto de tripeiros e tripeiras que constituem um grupo de índole politico da cidade invicta que se denomina Porto Laranja ( http://portolaranja.blogspot.com). Durante a apresentação apercebi-me que este livro nasce da necessidade de dar a conhecer as reflexões e as propostas que o grupo em questão debateu ao longo dos anos nos diversos jantares debate que organizou. O livro transforma-se num veiculo transmissor dos diversos intervenientes, reflexões, textos de opinião e documentos de políticas discutidas nos debates do Porto Laranja, como forma de um exercício de cidadania, de intervenção e de afirmação de valores e ideias. Apesar de os membros do grupo terem uma índole social-democrata, o grupo não é uma facção ou sensibilidade, mas sim sempre um espaço livre, de intervenção, reflexão e de afirmação de valores e ideias. O livro, tal como o blog já referido anteriormente, são formas privilegiadas de comunicação que estes encontraram, pelo que além dos textos que publicam, contam com a participação de todos os que lhes dão o prazer de os visitarem, e que contribuem com textos próprios, nomeadamente temáticos, com opiniões, reflexões, criticas e sugestões.
No fim da apresentação, tive oportunidade de falar com alguns dos seus membros e admito que fiquei fascinada com a hipótese de puder debater sem preconceitos, sem ataques, sem discriminação e no fundo conseguir exprimir o que para nós é a solução para o problema em debate.
Assim sendo sentada na esplanada e depois de ter encontrado o sitio para relaxar, posso desligar o notebook e deliciar-me com as intervenções que existem no livro em questão.
Aconselho a todos a dirigirem-se a livraria mais próxima e adquirir o livro em questão e pensar que vale a pena opinar.

Adriana Neves

quinta-feira, 23 de julho de 2009

PORTO D'IDEIAS



Decorreu no passado dia 20 de Julho (data em homenagem a Francisco Sá Carneiro que se fosse vivo faria no dia anterior 75 anos de idade) no Magestic, café histórico do centro do Porto, a apresentação do Livro “Porto d’Ideias”, da autoria do Grupo Porto Laranja.


Este livro consubstancia as reflexões e propostas que debatemos com diversos intervenientes, para o Porto, para a Região, para Portugal e também para o PSD. Um conjunto de textos de opinião e documentos de políticas discutidas no Porto Laranja são o nosso contributo de um exercício de cidadania, de intervenção e de afirmação de valores e ideias.


Junto se publica reportagem fotográfica, o prefácio, escrito por Luis Filipe Menezes, e o preâmbulo, breve resumo e apresentação do “Porto d’Ideias”.



















PREFÁCIO


Escrever o prefácio de um livro de propostas e reflexões oriundas do PSD é uma tarefa gratificante e perigosa. Gratificante porque sempre procurei na militância activa despojada de quaisquer objectivos pessoais dar o meu humilde contributo para que o PSD se tornasse numa referência do espectro político nacional – referência nas ideias e nas propostas.

Considero, por isso, este livro, uma importante iniciativa de "militância activa". Muitos outros, melhor do que eu, seriam mais capazes de escrever o prefácio mais adequado à oportunidade desta obra.

Registo com satisfação que este livro faça jus à memória do nosso fundador, Francisco Sá Carneiro. Recordo-me bem de uma sua célebre frase: "A política sem risco é uma chatice, sem ética uma vergonha". Procuro sempre tê-la como lema da minha actividade política. É, por isso, que foi com satisfação que acedi ao pedido do "Porto Laranja" para uma conferência sobre a actualidade política nacional e, claro, sobre o PSD.

Numa altura em que passamos por uma crise de proporções ainda desconhecidas, esta iniciativa é uma "pedrada no charco" da aridez e do cinzentismo em que está mergulhado o debate político nacional.

A recolha das intervenções proferidas nas tertúlias organizadas pelo "Porto Laranja" é, assim, um sinal positivo e de esperança. É um sinal de que no PSD ainda se dá valor ao pensamento livre e liberto de quaisquer condicionalismo.

Este "Porto d’Ideias" é, na sua génese, um documento à imagem do nosso fundador, Francisco Sá Carneiro. Sei como ele gostaria de saber que na sua cidade-natal, o seu e nosso PPD/PSD ainda faz agitar consciências, ainda se preocupa com o debate de ideias, ainda faz da divergência de opiniões um instrumento de combate político em busca de uma verdadeira social-democracia. Como sempre Sá Carneiro a pensou, a reflectiu e a praticou.

Ao meu companheiro Luís Artur, quero endereçar o meu agradecimento pelo convite que me fez não só para protagonizar uma das tertúlias do "Porto Laranja" mas, também, para escrever o prefácio a este livro.

Com militantes deste nível de disponibilidade e de amor ao partido, o futuro do PSD está garantido e recomenda-se.


Um abraço a todos,
Saudações social-democratas.

Luís Filipe Menezes




PREÂMBULO


No seguimento das eleições de Janeiro de 2008, para a secção do PSD do Porto, entendeu o conjunto de militantes que protagonizou esta candidatura, continuar com o projecto de discussão de ideias e propostas, dando assim corpo à constituição do “Porto Laranja” como forma de intervenção activa, quer no seio do PSD, quer na Sociedade Portuense em geral, como um contributo válido de participação e debate.

Entendemos o “Porto Laranja” como um espaço livre, de intervenção, reflexão e de afirmação de valores e ideias.

Passado um ano de intensa actividade, entendemos publicar o conjunto de reflexões e propostas que debatemos com diversos intervenientes e que extravasaram a própria militância do PSD. É também uma forma de exercício de cidadania, dando a conhecer aos cidadãos as reflexões e propostas para o Porto, para a Região, para Portugal e também para o PSD.

O reformismo social democrata tem que ter por base a crença no futuro do Homem e da sociedade, por isso nesta óptica profundamente humanista, devemos encontrar as soluções que garantam uma sociedade livre, um Estado moderno e uma economia de progresso, assente num modelo de crescimento económico e de justiça social e que alcancem a essência da dignidade humana e do equilíbrio justo da sociedade.

Publicamos todo o conjunto de reflexões e propostas que fizemos ao longo deste primeiro ano de existência do Porto Laranja, onde abordamos questões de natureza interna para o PSD, e que têm a ver com o contributo para a melhoria da qualidade da nossa democracia, a saber: o reforço da participação dos militantes, o devolver do poder às bases, através da decisão da escolha de candidatos em eleições primárias;

Propostas para o Porto para a Região e para Portugal, que assentam na necessidade de:
 Um Estado regionalizado;
 Políticas horizontais, que traduzam uma verdadeira reforma da Justiça, nomeadamente da Justiça económica e tributária, tornando-a mais célere e reequilibrando o peso da administração fiscal e do contribuinte;
 Um novo modelo económico, que reforce a competitividade das empresas, em oposição ao modelo tradicional de “baixos salários”, que faça das Exportações um desígnio nacional, de forma a ultrapassar os graves problemas estruturais da economia portuguesa: um crescimento do PIB praticamente inexistente, um deficit externo acentuado e um endividamento galopante;
 A necessidade de um novo modelo fiscal, simplificado e atractivo para o investimento;
 A diminuição da carga fiscal e a consequente diminuição da despesa pública primária;
 A atenção às políticas de emprego e o combate ao desemprego e à exclusão social;
 A reformulação do papel do Estado, num novo modelo de intervenção social, onde a economia de mercado não conduza a uma sociedade de mercado, mas em que o Estado assuma o papel de regulador e fiscalizador, promovendo a Justiça Social, onde a base do sistema deverá ser a solidariedade feita com base na proximidade no relacionamento e na responsabilidade pessoal.

Somos militantes do PSD, e entendemos que a Justiça Social é e deve ser um traço distintivo do nosso pensamento político.

Queremos, com estes contributos, ajudar o PSD a ser mais forte, começando por ser exemplarmente democrático e representativo dentro do seu interior, para que também o possa ser face ao seu exterior.

Os militantes têm de ter a certeza de que a sua intervenção tem sentido útil. Um partido dinâmico não pode estar “enquistado”, não podem ser sempre os “mesmos”. O valor da militância é insubstituível, num partido como o PSD, que só será autêntico com o reforço da participação, criatividade e iniciativa das bases.

Um espaço de liberdade, de democracia, de solidariedade e de Justiça, é o que continuaremos a defender.

Luís Artur