sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Carta Aberta aos dirigentes e militantes do PSD

A RESPONSABILIDADE DO PSD

Tempo de Mudar.
Os partidos políticos estão a afastar-se da resolução dos problemas da Sociedade Portuguesa, como claramente espelham os elevados níveis de abstenção eleitoral.
Portugal necessita de uma liderança mobilizadora, capaz de operar as mudanças inadiáveis, o que exige um discurso e uma prática que não se subordinem àquilo que, a cada momento, é considerado como politicamente correcto por determinados grupos organizados e com influência nos média.
Mudança tem sido o mote político mais utilizado nos últimos anos. A ideia de “mudar o que está” reflecte um sentimento de descontentamento em relação a um poder socialista, que mal tem governado o país.
Mudança desejada pela crescente desconfiança dos portugueses no sistema político e na forma de intervenção dos partidos políticos. É tempo de se regenerar a Política.

Diagnóstico Preocupante
Portugal é hoje um país sem rumo, afectado por uma profunda crise económica e social, cuja responsabilidade não é apenas da chamada crise internacional, mas muito do governo “Sócrates”, que em vez de concretizar as reformas necessárias, “vendeu” ao longo destes quatro anos ilusões, que se vieram a desvanecer por completo no nosso imaginário.
A economia portuguesa persistiu, nestes últimos anos, num crescimento económico incipiente, muito abaixo da média europeia, demonstrando uma estagnação, que deixando de ser meramente conjuntural, passou a ser estrutural.
O desemprego cresce rapidamente, afectando todos os estratos da população, mas sobretudo jovens quadros e concidadãos na faixa dos 50 anos, que muito dificilmente voltarão ao mercado do trabalho.
Portugal deixou de ser um país, como diria Francisco Sá Carneiro, onde os jovens tenham futuro e os idosos tenham presente.
O desemprego real, a dívida externa, muito pela falência do nosso sistema produtivo, as dificuldades das PMEs, base das nossas exportações, com um forte endividamento e uma carga fiscal excessiva, são as consequências evidentes de quem, na acção governativa, tem tido claramente um rumo sem sentido estratégico. Ora neo-liberal na regulação dos mercados, depois “intervencionista” no adiamento das soluções estruturais para a nossa economia.
Para o cidadão comum o que conta são as consequências desta crise e saber se estamos mais próximos de encontrar soluções ou de acenar com a imagem de um país onde não se passa nada.

Que Futuro
Este governo, perante uma crise séria, política e económica, insiste em mais do mesmo: o crescimento insustentável da despesa pública, que representa hoje já metade do produto nacional, com o anúncio de fortes investimentos públicos improdutivos.
Só o redimensionamento das funções do Estado, a redução gradual dos impostos, a aposta na educação e a exportação como desígnio nacional , com o consequente apoio às PMEs e necessário incentivo ao emprego, poderá inverter a lógica e o ciclo de pobreza e de salários baixos que se vive em Portugal.
O combate ao desemprego e o reforço da protecção social, como garantia aos mais desfavorecidos, deve ser uma prioridade nas propostas de um Partido Social Democrata.
A aposta no Homem e na iniciativa das Pessoas, em conjunto com investimentos públicos reprodutivos, na educação, na ciência e tecnologia e na requalificação, na saúde activa e na justiça devem ser prioridades para o PSD.

Mudar de Rumo
É necessário não matar os “sonhos” que geram as energias indispensáveis para passar de uma atitude reagente para uma atitude pró-activa e motivar os portugueses, num processo que irá mexer com muitos dos interesses de “privilégio” existentes.
Exige-se uma estratégia clara, capacidade de decisão, táctica na condução do processo e uma constante preocupação para que façam prevalecer sempre os interesses colectivos e do país.

A Responsabilidade do PSD
Este é o grande desafio estratégico para a actual direcção do PSD e a condição essencial para que a mudança se concretize, e renovando, se inicie um novo estádio de desenvolvimento.
O PSD não se pode esquecer que tem com Portugal a responsabilidade de ser o maior partido da oposição e, assim, a única alternativa credível na governação.
O PSD tem de ser o portador dessa esperança para os portugueses, como o foi no passado com Francisco Sá Carneiro e Aníbal Cavaco Silva quando liderou a reforma constitucional política e económica.
O PSD tem a responsabilidade de concretizar uma relação de intervenção política, quer no seu interior, quer na forma como deve discutir o que verdadeiramente interessa: medidas e políticas que contribuam para a melhoria das condições de vida dos Portugueses.
Os portugueses querem respostas claras e não exercícios de lideranças putativas em volta do maior partido da oposição. Temos de compreender que entre 1996 e 2009, o PSD só esteve no poder executivo (em coligação com o CDS/PP) no período de 2002-2005.

O Norte de Portugal e o Porto
A situação deprimente ainda é mais grave no Norte do País, ainda há bem pouco tempo a segunda maior e importante região da Europa, é hoje considerada uma das regiões mais pobres da União Europeia, com um nível de desemprego ainda mais acentuado e com milhares de PMEs, base do nosso sistema produtivo e exportador, em dificuldades e à beira da falência. Esta situação é demasiado séria, para ser ignorada.
Perante este cenário, o PSD do Porto não se pode alhear, como tem feito, de apresentar as suas reflexões e as suas propostas concretas, deixando claro aos cidadãos e aos eleitores que o PSD do Porto é exigente, está atento e tem uma politica reformista para a Região e para o País, apresentando sobretudo respostas mobilizadoras para os problemas reais das Pessoas.
O PSD tem de perceber a razão porque está há tanto tempo afastado do governo do País. Não será evidentemente por culpa dos portugueses.
O ano de 2009 será um ano decisivo para o PSD, se se voltar a afirmar como o partido no qual os portugueses acreditam.

Confiança no Futuro
O dia seguinte já começou. Se o PSD for capaz de voltar a ganhar a confiança dos portugueses, será o vencedor das próximas eleições legislativas e terá a responsabilidade de seguir um novo rumo reformista. Governar a pensar nos portugueses e melhorando as suas condições de vida.
Se mantiver a actual lógica interna de fazer política, olhando para interesses pessoais, perderá as eleições e o dia seguinte significará a responsabilidade de refundar o PSD.
Tenhamos todos a responsabilidade de compreender a máxima de Francisco Sá Carneiro : primeiro – Portugal; segundo – a democracia e terceiro – a social democracia.
É esta a responsabilidade histórica do PSD.
Uma coisa é certa, no final do ciclo eleitoral, em 2010, vamos mudar de vida.

Porto Laranja,
Porto 22 de Janeiro de 2009

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009


Intervenção do Prof. Doutor Pedro Arroja, no debate :
"A crise financeira e os efeitos na economia real" e "O estado da economia em Portugal"



O Prof. Doutor Pedro Arroja dividiu a sua intervenção em 3 partes: As origens da crise financeira, o seu impacto no presente e os efeitos futuros na economia, na sociedade e na política.

Numa perspectiva histórica, começou por se referir aos meados do século XX, para lembrar que o único país, interveniente directo, que saiu da 2ª Grande Guerra sem prejuízos internos foi os Estados Unidos da América. Desta forma, a economia americana permitiu-se financiar a reconstrução europeia no período pós guerra, através da emissão de moeda (USD) que estava em ultima instância baseada no ouro (Sistema de Bretton Woods).

O período de prosperidade da economia americana viria, contudo, mais tarde, a esbarrar numa circunstância óbvia: as reservas de ouro não eram infinitas. Assim, na necessidade de continuar a crescer a economia, os Estados Unidos da América passaram a emitir moeda a troco de títulos da divida pública, neste caso, sem qualquer substrato de riqueza. “O dinheiro passava a ser emitido a partir do ar!...”. Estavam lançadas as bases da transição para um sistema monetário de emissão praticamente livre.

Contextualizou depois o negócio da banca comercial, cujos resultados operacionais resultam da diferença entre os juros recebidos pelos créditos concedidos e os juros pagos pelos depósitos dos clientes. Frisou os argumentos poderosos dos banqueiros que levam as entidades reguladoras a diminuir as taxas obrigatórias das reservas, dai resultando o facilitismo com que a banca comercial começou a tratar a concessão de crédito tendo levado, no extremo, à crise do “subprime”, o mercado de crédito hipotecário de alto risco, que está na base da actual crise financeira. “Os maus investimentos realizados pelos bancos justificam o seu estado de falência”, referiu.

Lembrou as recentes e diferentes intervenções do Estado Americano sobre o sistema financeiro tendo, por um lado, “permitido” a falência do Lehman Brothers e, por outro, nacionalizado total ou parcialmente vários bancos. Na Europa, sublinhou, como caso extremo a crise da Islândia, a economia mais desenvolvida do mundo, para se referir à intervenção do Fundo Monetário Internacional. Salientou a existência e a dimensão de um plano de salvamento financeiro para a França e Alemanha.

No plano nacional, julga que “todos os bancos acabarão por cair nas mãos do Estado. “O problema, referiu, é que “o Estado português, endividado, não tem os vinte mil milhões de euros necessários que anunciou para apoiar os bancos. Esta situação obrigaria a mais endividamento externo. Mas quem emprestaria?”, questionou.

No plano económico e social, o Prof. Dr. Pedro Arroja prevê com pessimismo o futuro próximo. “A falta de dinheiro em circulação, associada à débil economia portuguesa dos últimos tempos, preconiza um cenário de deflação”, caracterizado pela diminuição dos preços de bens e serviços. “Vem aí a deflação e o problema é que desconhecemos os seus efeitos na sociedade contemporânea”.

Em Portugal, lembrou, “os nossos avós assistiram a um período de deflação, de 1925 até à 2ª Guerra Mundial”. Se fizermos o paralelo com esse período, então prevemos a queda das bolsas até 80%, a queda gradual das taxas de juro, a queda dos preços dos bens e serviços entre 20% e 30%, obrigando a diminuição dos custos das empresas através do aumento do desemprego como forma de evitarem (ou adiarem) as falências, surto grande de emigração para mercados emergentes como Angola e Brasil, perturbações sociais e a redução do Estado Social. Acredita, “com 60% de certeza, que, dentro de 2 a 3 anos, Portugal sairá do Euro devido ao défice da balança de transacções correntes”.

Acompanham-no nesta saída da moeda única a Itália, a Grécia e a Espanha, conforme artigo do Financial Times que apelida estes 4 países de PIGS (referência maliciosa às suas iniciais)”.

A propósito dos “grandes” investimentos públicos, preconizados pelo governo, refere que sob os efeitos da crise económica e financeira, e a consequente falta de dinheiro, obras como o novo aeroporto de Lisboa e TGV, não irão ser concretizadas nos próximos anos.

No plano político, estas circunstâncias económicas e sociais normalmente originam um abalo da democracia e propiciam o surgimento de regimes autoritários. Segundo o Prof. Dr. Pedro Arroja, “a democracia não está isenta de responsabilidades pela actual crise”.

“Os governantes, populistas, incentivam ao crédito fácil, para que todos vivam bem.” Entende que a crise económica vai desgastar muito o governo durante o próximo ano. Os eleitores têm tendência a atribuir a culpa aos governos quando a situação económica é má.
Prevê assim, que o PSD vai retirar a maioria absoluta ao PS e muito provavelmente vai ganhar as próximas eleições legislativas, mesmo que a Dra. Manuela Ferreira Leite, “não abra a boca”, refere. Apesar de independente, reconhece que “O PSD é o partido político mais aberto do nosso espectro político, onde todos cabem e através do qual todos são representados”. Mas julga que “vamos ter turbulência política se o próximo governo não for de maioria absoluta”. Recordou a revolta da população contra os partidos políticos em 1926 e prevê que um cenário idêntico possa ocorrer nos tempos mais próximos. “O futuro reserva-nos uma democracia mais musculada e, logo, menos populista.”

No decurso do debate, o Prof. Dr. Pedro Arroja aceitou a “provocação” que o nosso companheiro Moreira da Silva lhe dirigiu para afirmar um conjunto de medidas que tomaria se governasse ele próprio o nosso país. Entende que “os Portugueses, como povo do Sul da Europa, são especialistas da contra-reforma. Os reformistas são os protestantes do Norte da Europa. Os Portugueses só fizeram reformas na década de 90, por imposição da união Europeia, e aí só em áreas económicas. A reforma mais importante seria a da produtividade, mas tem a ver com factores culturais e demora gerações. Daí a nossa perda de competitividade e o aumento do desemprego”.

Referiu ainda que deveriam ser concretizadas reformas que ajudassem a reforçar a responsabilidade das decisões e a autoridade e prestígio das instituições. Deu o exemplo, elevar a idade a partir da qual seria permitido votar (35 anos) e também a idade a partir da qual se poderiam desempenhar certos cargos públicos, como deputado ou juiz (40 anos).

Entende que “a falta de autoridade do Estado é o principal obstáculo à realização das reformas necessárias”. Assim, assume que lideraria Portugal muito à semelhança do que fez Oliveira Salazar. “É preciso pôr as instituições na ordem, em silêncio, mas com o apoio da população”.

Os Portugueses não gostam de ser humilhados em público, tal como tem feito este governo socialista em relação às várias classes profissionais: os médicos, os juízes, os professores, os funcionários públicos…” Admite que “sairia do Euro (instaurava uma nova moeda nacional a que chamaria Bento (em honra ao Papa Bento XVI) como forma de incentivar a faceta exportadora da economia portuguesa. Proporcionava a reocupação do interior desertificado do país e fazia uma grande reforma da Justiça, restaurando a segurança e a justiça em Portugal.



terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Boas Festas

Votos de um Santo Natal e que o próximo ano de 2009, seja um ano repleto de sucessos pessoais.

Politicamente 2009, será marcado por três actos eleitorais: Europeias, Autárquicas e Legislativas, e assim, será um ano de trabalho político intenso, para todos nós, que estaremos na primeira linha do combate político, ajudando às vitórias do PPD/PSD.

O próximo ano, será um ano marcadamente dificil, em termos económicos e sociais, em que infelizmente se vai acentuar a chaga social do desemprego. É tempo de "mudar de vida", pelo que relembro, pela sua actualidade alguns dos pontos, das duas moções sectoriais que apresentamos, ao último congresso nacional do PSD, e que são propostas claras para a governação:

Um grande desígnio nacional – Exportar
Um crescimento acelerado, tem que ter por base, um “desígnio nacional”, as Exportações.
O Estado deve estimular as empresas exportadoras, criar condições para levar novas empresas a exportar, ou seja tendo por base o nosso tecido industrial de PMEs, há que ajudar na criação de condições físicas e de gestão, e sobretudo através de linhas de crédito, Plafonds, etc. na melhoria do Fundo de Maneio, que é o principal factor de inibição à exportação nas PMEs

Reformar a Justiça
A resolução dos problemas da Justiça (área em que demasiada burocracia consome demasiados recursos, sem resultados) é nuclear para o desenvolvimento de Portugal, Sem resolvermos os problemas da Justiça, não teremos um crescimento económico sustentado no médio longo prazo.
Uma justiça mais rápida e eficaz é fundamental para a captação de investimento estrangeiro, devendo-se simplificar todo o processo de constituição de empresas, acelerar as condicionantes dos processos de falência e “julgar” em tempo útil.

Redução de Impostos
É necessário reformar o sistema fiscal, tornando-o mais simples e menos burocrático.
É forçoso em conjunto com a redução da despesa pública primária, a redução da carga fiscal, nomeadamente do IRC e do IVA, caminhando para uma harmonização fiscal com Espanha.

Medidas de Emergência no curto prazo
Vivendo o País um quadro de emergência social e sabendo que as políticas acima, não produzirão efeitos imediatos, mas sim sustentadamente no médio e longo prazo, são necessárias medidas excepcionais, de ataque à pobreza e que minorem os sacrifícios e estado de desespero dos nossos concidadãos no desemprego.

Assim, é forçoso concretizar um programa nacional, que envolva as Autarquias Locais, as Instituições de Solidariedade Social, Empresas (mecenas) e o Estado central, que intervenha em rede social, nos seguintes eixos: Iniciativas de Emprego, Qualificação, apoio às Famílias carenciadas, família /Escola, satisfação de necessidades básicas, novo projecto de vida, parcerias de desenvolvimento local e social.

O actual governo tem demonstrado incapacidade e insensibilidade, para se ultrapassar esta situação, pelo que cabe à oposição, com seriedade, formular políticas alternativas e fazer com que os portugueses acreditem, que é possível fazer crescer a economia na próxima década, e promover assim políticas de desenvolvimento económico e social.

Renovo os votos de um Santo Natal, e apesar das dificuldades, um ano de 2009, repleto de sucessos.

Luis Artur

Porto Laranja – Jantar Debate de Dezembro

Porto Laranja – Jantar Debate de Dezembro

" A crise financeira actual e os efeitos nas ideologias dominantes"
Orador Convidado: Dr. Carlos Magno


Uma excelente intervenção do Dr. Carlos Magno, propiciou um debate vivo e participado.

Mais um sucesso do Porto Laranja, com um significativo número de participantes.

Oportunamente publicaremos uma sintese da intervenção do orador convidado, bem como dos participantes no debate.

Desde já publicamos algumas fotografias.

















sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Porto Laranja – Jantar Debate de Dezembro

Caras(os) Companheiras(os),

Convoco o próximo jantar / debate, para o dia 9 de Dezembro de 2008 (Terça Feira),pelas 20h.

Local : Hotel TRYP Porto Centro, na Rua da Alegria, nº 685 ( Antigo Hotel Castor)

Agenda:

Tema do debate : " A crise financeira actual e os efeitos nas ideologias dominantes"

Orador Convidado: Dr. Carlos Magno

20 h 15m - Jantar

21h - Introdução ao Debate - Engº Carlos Brito;

21h 15m - Intervenção do Dr. Carlos Magno;

22 h - Debate

Duração do debate 2 horas.

Luis Artur
Debate : " A crise financeira e os efeitos na economia real" e "O estado da economia em Portugal"

Orador Convidado: Prof. Doutor Pedro Arroja

Este jantar/debate foi mais um enorme sucesso do Porto Laranja. Com uma sala repleta, a superior intervenção do Professor Pedro Arroja, foi seguida com extrema atenção e foi o mote para um debate interessantíssimo. Em breve publicaremos esta intervenção, que foi uma excelente "aula" de Economia Política. Desde já publicamos algumas fotografias deste jantar/debate.

Luis Artur











segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A crise financeira

Pertinente e actual o texto abaixo que nos foi enviado por e-mail pelo nosso Companheiro Luís Correia:
O mercado de crédito hipotecário de alto risco, o “subprime”, está na base da actual crise financeira e já provocou perdas significativas em todo o Mundo, marcando o fim duma época caracterizada por crédito acessível e barato. A escalada da crise no sector financeiro desde o Verão veio piorar o cenário macroeconómico.

Durante muitos anos o sector financeiro foi um dos motores de desenvolvimento dos países. Tomando como base o país “epicentro da crise”, os EUA, o peso do sistema bancário no PIB passou de 5%, nos anos 80 do século passado, para cerca de 20%, na
actualidade. Um outro país, a Islândia, encontra-se à beira da bancarrota, devido ao peso que a banca representa no pequeno país do norte da Europa.

O que trará o fim do dinheiro barato e acessível? Menores taxas de crescimento no futuro. As empresas e famílias terão de obter, cada vez mais, financiamento na sua própria actividade e nas poupanças.

A nossa economia, como é sabido, é aberta ao estrangeiro e possui um elevado grau de relacionamento com países que se encontram vulneráveis à crise do crédito. Está previsto para Portugal, para o ano de 2009, uma taxa de crescimento nula. Em Espanha, Irlanda, Itália e Inglaterra as estimativas apontam para crescimento abaixo de zero. Aliado a este facto verificamos que os níveis de endividamento das empresas e das famílias portuguesas se situam em níveis demasiado altos.

Nas últimas semanas assistimos a algumas reuniões entre chefes de estado. As quatro
principais economias europeias, pertencentes ao G8, reuniram-se de forma a resolver os problemas para a crise. Espanha, Itália e outros países têm vindo a público dar um sinal de esperança aos cidadãos. A uma ou a várias vozes, os países europeus têm conseguido dar respostas a casos concretos, contudo, para contrariar a crise, essas mesmas medidas terão de ser tomadas em conjunto por todos os países da UE.

Em Portugal foram tomadas algumas medidas. Nem todas para combater a crise. Assegurar a totalidade dos depósitos é benéfico para clientes dos bancos e para os próprios bancos. O anúncio das medidas do primeiro-ministro José Sócrates, no parlamento, com excepção do aumento dos subsídios às PME, não resolve os principais problemas das empresas, i.e. a falta de liquidez e dificuldades de tesouraria. A redução do imposto de IRC para 12,5% para a matéria colectável até 12.500 euros é uma boa medida – não nos podemos esquecer que medida similar foi apresentada pelo PSD e chumbada pelo PS. O 13º mês de abono para as famílias mais carenciadas foi uma das medidas tomadas pelo governo de Santana Lopes…

Mas o que fazer para melhorar a saúde financeira das empresas? O PSD apresentou uma medida de apoio às PME através da alteração do IVA. Em traços gerais, o pagamento do IVA ao Estado seria efectuado após as empresas receberem o dinheiro da factura. Esta medida traria liquidez às empresas. Recordo que as empresas têm de pagar o IVA mesmo quando o devedor é o próprio Estado… é imoral.

E a banca? Os principais e maiores bancos portugueses estão a apertar, cada vez mais, os critérios na concessão de crédito. Temos que salientar que não assistimos a uma especulação imobiliária como nos EUA ou na vizinha Espanha, pelo que o risco de crédito mal parado é menor que outros mercados. De salientar a garantia dada pelo governo por tudo fazer no sentido de manter o sistema financeiro sólido.

Para finalizar um conselho: pare, escute e olhe. Não entrar em pânico e não retirar o dinheiro dos depósitos, fundos e outros investimentos. Caso tenha coragem, invista.
Luís Correia

domingo, 2 de novembro de 2008

Jantar/Debate "A Crise Financeira e os Efeitos na Economia Real"

Data: 6 de Novembro de 2008 (Quinta-Feira)
Hora: 20h00m
Local: restaurante Ainda por definir

Agenda:

Tema do debate : "A crise financeira e os efeitos na economia real"
Orador Convidado: Prof. Doutor Pedro Arroja

20h15m - Jantar
21h00m - Introdução ao Debate - Engº Carlos Brito
21h15m - Intervenção do Prof. Doutor Pedro Arroja
22h - Debate

Duração do Debate -2horas.

Mais um Jantar Debate - o "Estado da Educação"

Perante uma sala repleta, este debate sobre o estado da educação em Portugal, foi um êxito, pelo debate vivo, e pela excelente intervenção do orador convidado, o Dr. João Dias da Silva.


Carlos Brito
Introduziu o debate, questionando o próprio tema: o “Estado da Educação” ou a “Educação do Estado”?
Referiu-se ao papel interventivo e dominante do Estado em matéria de Educação, num sistema em que a população adulta, já “educada”, é serva desse mesmo Estado “todo-poderoso”.
Os comportamentos desviantes dos alunos são, em seu entender, resultado de um desajustamento entre as expectativas dos próprios e o sistema de ensino que vigora em Portugal. Apela a uma reflexão: auto-ensino? auto-aprendizagem? E condução livre da formação da consciência individual, pelo próprio?
“O Estado deixou de ser o dono do conhecimento. Limite-se a ser um bom transmissor!”, rematou.

João Dias da Silva
Professor, Secretário-Geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), Presidente da União Geral de Trabalhadores (UGT) e Presidente da Mesa do Congresso dos Trabalhadores Social Democratas (TSD), João Dias da Silva foi o orador convidado deste Jantar / Debate.
Começou a sua intervenção referindo-se à Educação como um tema um aberto à discussão de todos. Porque todos lá passamos… todos como alunos, muitos como pais, alguns como professores. “Na Educação é como no Futebol, somos todos treinadores de bancada”.
Realçou as diferenças que, ao longo dos tempos, alteraram os paradigmas da sociedade e, em consequência, da Educação: “Por exemplo, na Economia. Ontem, adivinhava-se o futuro. Hoje, nem os melhores se atrevem a fazê-lo”.
Defendeu o papel da Escola na certificação das pessoas para o mercado de trabalho. Lembrou que Portugal é o país da EU com mais baixas qualificações, apesar de ter sido o que mais gastou na qualificação de trabalhadores activos, para criticar o excesso de preocupações com o aumento de qualificações, em vez do necessário aumento de competências. Assim, sublinha, “enganamo-nos a nós e aos jovens que vão entrar no mercado de trabalho”.
Entende que as políticas educativas têm reflexos a 5/10 anos, de forma coerente, consistente e confiante e que, por isso mesmo, da sucessiva alteração de Ministros da Educação e das respectivas políticas adoptadas obtemos meros resultados experimentais, impeditivos de um coerente funcionamento e desenvolvimento do sector – realçou que, desde 1974, só 3 dos 16 Ministros da Educação terminaram o mandato.
Defende um ensino atento ao aluno, enquanto indivíduo particular, com um percurso, uma personalidade e necessidades próprias. O professor, acrescenta, “não deve mais trabalhar para o aluno médio, porque este não está na sala de aula. Quem lá está é a Ana, o João, o Francisco…”
Lamentou o abandono do ensino profissionalizante, em prol da perspectiva exclusiva de acesso ao ensino superior. Este factor, no seu entender, levou a que Portugal se tornasse no país da EU com maior taxa de abandono escolar.
Falou também dos Professores e para os Professores. Considera excessiva e desadequada a carga de trabalho burocrático a que hoje os professores estão sujeitos – procedimentos administrativos inúteis e obrigatória participação em reuniões de duvidosa pertinência.
Realçou a necessidade de uma maior exigência em matéria de ensino. “Aos alunos não é exigido nada, apenas que compareçam no dia do teste. Assim não damos confiança ao sistema e enganamos os próprios alunos.”
Concluiu a intervenção, apontando alguns caminhos que considera estratégicos para Portugal: Equilíbrio entre a Escola e a Família, aposta na formação superior relacionada com o Mar, mais investimento em investigação científica e melhor aproveitamento da imigração qualificada.

Luís Rocha
Começou por elogiar o diagnóstico feito por João Dias da Silva. “Triste mas realista!”, no seu entender.
Relacionou a actual crise financeira com o futuro da Educação. “A ocorrência de uma situação catastrófica, à escala de 1929, antecipa o fim do actual Estado Social, insustentável”, do seu ponto de vista.
Salientou a necessidade de existir liberdade intelectual e criticou a imposição de quaisquer Valores por parte de um qualquer burocrata. O exemplo, “porquê inglês para todos?”, questionou. Prefere um mercado escolar em concorrência, com programas e conteúdos distintos. “Se uma escola leccionar o Inglês, outra o alemão e outra o chinês, aumenta a diversidade e enriquece o conhecimento geral”.
Criticou, na sequência, o Estado “paizinho” de todos. “Da forma como actua, mais não faz que retirar responsabilidade aos cidadãos”, concluiu.

Adriana Neves
Questionou João Dias da Silva sobre “o papel dos sindicatos na melhoria do Estado e da Sociedade, tal e qual hoje os conhecemos”. Em resposta, João Dias da Silva lembrou que as grandes reformas sociais que ocorrem no mundo têm origem e participação dos sindicatos.

Paulo Meireles
Começou por referir-se às Ordens Profissionais e aos Sindicatos como forças de bloqueio ao normal funcionamento da sociedade.
Criticou as “Novas Oportunidades”, que, julga, “vão necessariamente gerar mais desemprego qualificado”.
Questionou, por fim, a proposta do PSD em garantir o ensino obrigatório até ao 12º ano de escolaridade. “Para quê obrigar um aluno a continuar a estudar se ele, notoriamente, não o deseja?”

Moreira da Silva
Ressalvou “o debate de ideias livres de militantes e simpatizantes do PSD, fora do PSD, talvez por falta de instalações”. Criticou depois o silêncio e a ausência da Presidente do Partido.
Em relação ao tema em debate, questionou João Dias da Silva: “o que é o PSD, que tantos anos foi governo, devia ter feito e não fez e fez e não devia ter feito?” e, em sequência, se “a nossa representação parlamentar está à altura do debate da Educação sem tapar a cara com um pano negro?”

José Oliveira
Começou por abordar, na perspectiva de Professor, a passagem da gestão das escolas EB23 do Estado para as Autarquias.
Questionou depois: “O que queremos para o nosso País?”, de cuja resposta depende, no seu entender, também o futuro da Educação em Portugal.
Entende que o Estado “tutor” levou à desresponsabilização das famílias que, defende, deviam desempenhar papel central na educação dos mais jovens.
Levantou diversas questões relacionadas com o estatuto do Professor e concluiu com mais uma questão: “Deverá a Educação em Portugal responder às necessidades sociais ou não?”

Arnaldo Madureira
A abrir a sua intervenção, faz um diagnóstico próprio sobre o Estado da Educação: “Perante um cenário que inclui escolas de uma pobreza atroz e famílias que não educam, Portugal produz todos os anos 70.000 licenciados, dos quais 30.000 não têm colocação na sua área de ensino.” Todos (escolas, famílias e Estado), em seu entender, são responsáveis.
Criticou, de seguida, o “Magalhães”. Acredita que a apetência natural para a aprendizagem não existe e que, por isso, servirá apenas para os alunos se entreterem no HI5, no Messenger e nos mais diversos jogos de diversão.
Entende que a escola, conceito tal e qual a conhecemos, “não mudará nos próximos 100 anos”.
Em relação ao debate político sobre Educação na Assembleia da Republica, julga que, tal como em relação muitas outras matérias, também nesta, “a bancada do PSD não faz o trabalho de casa e, por isso, não sabe mais”.
Conclui com um pensamento crítico: “Não há solução para o Partido. Há, por vezes, um Partido desinteressado que se sobrepõe a outro”…

Luís Gonçalves Seco
Iniciou por agradecer ao Grupo Porto Laranja a oportunidade do debate.
Na perspectiva de Professor Universitário, defendeu um modelo de financiamento diferente para o Ensino Superior, “mais virado para o aluno”. Em seu entender, o Estado deveria financiar directamente o aluno (em vez da Universidade) que por sua vez pagaria uma propina adequada à respectiva Universidade. O aluno seria financiado, mais ou menos, em função dos resultados obtidos. “Assim, premiava-se o esforço dos melhores alunos, ao mesmo tempo que se colocava as Universidades públicas em competição de qualidade, à semelhança do que se passa no ensino superior privado e cooperativo”, justifica.
A concluir, defendeu mais investimento por parte do Estado na Investigação Cientifica.

Mariana Macedo
Começou por demonstrar franco optimismo em relação ao futuro da Escola e da Educação em Portugal.
Defendeu depois a introdução da Educação Sexual como disciplina obrigatória.
Concluiu a intervenção questionando a empregabilidade de alguns cursos superiores.

Luís Proença
Referiu-se a um problema local no âmbito da Educação: a intenção do Governo Socialista em fechar o Liceu António Nobre.
Salientou que numa freguesia como Paranhos, onde residem cerca de 50.000 pessoas, dos quais 2.800 com idades compreendidas entre os 14 e os 18 anos (naturais estudantes do ensino secundário), e existem duas escolas secundárias – António Nobre e Filipa de Vilhena, o fecho do Liceu António Nobre representa, em seu entender, a descapitalização do ensino local, com prejuízos sociais relevantes, nomeadamente a migração das famílias para outros concelhos melhor equipados ou o abandono escolar dos menos interessados.
Questionou João Dias da Silva sobre a capacidade política das Autarquias Locais em impedir esta intenção latente do Ministério da Educação.

Carlos Eiriz
Começou por se referir ao papel das famílias na Educação: “A Educação começa em casa, de onde a criança deve vir preparada para a escola”, referiu.
Criticou as condições físicas das escolas públicas, sem estruturas adequadas a um ensino de qualidade.
No seu entender, “o sistema de ensino actual, facilitista, leva os alunos ao Superior, muitas vezes sem saberem porquê nem para quê”.
Vê também as ordens profissionais como forças de bloqueio, ao impedir, em concreto, o exercício da actividade profissional por licenciados em cursos homologados pelo Ministério do Ensino Superior.
Revelou-se, por fim, contrário ao modelo neo-liberal importado dos Estados Unidos da América. “Como se está a ver agora não dá resultado. Apenas serve para alguns privados ganharem dinheiro”.

Jorge Trabuco
Começou por realçar a diferença que entende existir entre os conceitos Escola e Educação, para defender o conceito de Escola “Ainda me lembro da minha primeira escola e do meu primeiro professor” e criticar o actual estado da Educação.
Defendeu depois um sistema de avaliação dos professores, próximo do que existe para qualquer outra profissão. “Uma avaliação justa de todos, professores e alunos”.




Luis Artur
Referiu como primordial, uma maior ligação das escolas ao meio empresarial e profissional, não só na definição dos programas, como também na vivência diária das escolas. A este propósito, referiu que deveria fazer parte da formação contínua dos professores, esta ligação às empresas.
A educação é fundamental a médio prazo, para aumento da competitividade e produtividade nas empresas, com a melhoria das qualificações, mas chamou a atenção, para algum desfasamento entre as qualificações dadas pela escola, e das reais necessidades da economia. Referiu a taxa de desemprego na ordem dos 16%, de jovens licenciados.
Referiu também a necessidade da avaliação dos professores, insistindo num modelo realista e honesto, que contribua para uma maior exigência na escola, e que é absolutamente necessário, para que a Avaliação de Desempenho funcione, que da mesma resulte uma remuneração variável. É tempo de acabar com o facilitismo e o que chamou de “passagens administrativas” .

O Dr. João Dias da Silva encerrou o debate, respondendo às diversas questões formuladas, e aos comentários das diversas intervenções.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O fim de uma era? (*)

Muitos têm apontado a presente crise financeira como de gravidade idêntica ou superior à de 1929. Admitindo que quem tal afirma não são os catastrofistas ou as Cassandras do costume, o impacto junto dos cidadãos será brutal: ninguém hoje imagina minimamente o que seja uma depressão, com todo o seu fragor de desemprego, fome e miséria generalizadas. Algo que, no Ocidente, nenhuma das gerações vivas equaciona que possa alguma vez acontecer.

Certo é que, a crise actual tem, na sua sequência, várias similitudes com a grande depressão de 1929: sobreprodução global potenciada por excesso de liquidez, seguida de uma abissal desvalorização de activos, consequente e acentuada redução da massa monetária e inerente contracção do crédito que ameaça paralisar a actividade económica. A causa remota foi então idêntica, ou seja, excessiva criação monetária incentivada pelos Bancos Centrais ao longo de mais de uma década, via taxas de juro artificialmente baixas e, na actualidade, fixação aos bancos de insignificantes taxas de reservas. A expansão de moeda que daqui decorre, não directamente relacionada com o crescimento económico, leva a investimentos especulativos geradores das chamadas “bolhas” que, inevitavelmente, rebentam quando a taxa de juro inverte e os mercados se apercebem do enorme desequilíbrio entre investimento e poupança. Assistimos agora ao estoiro da bolha do subprime, decorrente de uma expansão vertiginosa do crédito hipotecário a abranger devedores conhecidos à partida como sendo de alto risco. A desvalorização dos activos imobiliários – cerca de 2/3 nos Estados Unidos desde o respectivo pico – levou os bancos a assumirem perdas monstruosas nos respectivos créditos, com a inerente insolvência de alguns deles. Na prática, isto mais não é do que o “queimar” de todo o “dinheiro falso” criado anteriormente e que potenciou a bolha.

Há porém uma diferença substantiva face à crise de 1929: os Estados, as entidades de quem todos esperam a solução providencial, constituem hoje os agentes económicos mais indisciplinados do planeta, habituados a gerir um “modelo social” cada vez mais caro com base no défice e na dívida. Confrontados com uma situação de quase catástrofe, reagem da única forma que conhecem, atirando dinheiro aos problemas. Como por todo o lado se encontram reféns de lobbies organizados, qualquer apoio reverte no imediato benefício destes, com especial destaque para a banca, por sinal o sector com maiores responsabilidades na crise, sempre em cumplicidade com os mesmos Estados que, em devido tempo, lhes garantiram a criação monetária para financiarem os créditos de alto risco. Ou seja, todas as soluções já implementadas ou a implementar, vão em benefício do infractor e em prejuízo do eterno financiador final, o contribuinte, com nula capacidade de intervenção e influência. Estamos a falar para já, contando apenas com o Plano Paulson e o Plano Europeu e abstraindo das maciças injecções de liquidez por parte dos Bancos Centrais, de algo como 2,5 biliões de dólares (triliões em termos americanos).

As reacções dos mercados, consubstanciadas nos índices bolsistas, com quedas desde o início do ano a ultrapassarem os 40%, têm denotado um enorme cepticismo. Porventura pelo reconhecimento de que as soluções propostas mais não são do que a tentativa de cura com o mesmo veneno que provocou a doença, a expansão monetária. Só o “pacote” europeu, ascende a 1,3 biliões de euros, qualquer coisa como 15% do PIB da EU, destinados a aumentos de capital dos bancos e a garantir o respectivo financiamento nos mercados interbancários. Uma hipotética utilização de toda aquela verba, encharcaria os mercados de euros, com efeitos mortíferos na estabilidade da moeda e na inflação, podendo pôr em risco a própria união monetária.

Não se conseguindo a retoma da confiança e a acontecerem mais falências bancárias, hipótese já aventada pelas autoridades americanas, a propagação para a economia real pode ter efeitos devastadores, com falências em série e subida exponencial do desemprego. Os Estados ficarão exangues, incapazes de acorrer em simultâneo a instituições insolventes e a carências sociais de todo o género. Será a falência do “Estado Social”, que não resistirá à fragilidade dos seus alicerces de dívida e défices. As tentações proteccionistas serão enormes, o que acentuará ainda mais a recessão à escala global. No final, emergirão três novas potências económicas, a China, a Índia e o Brasil, para onde o Ocidente “exportou” maciçamente capacidade produtiva nos últimos 20 anos e que compensarão a queda das exportações com o desenvolvimento dos seus mercados internos, com uma profundidade quase infinita.

E Portugal no meio disto? É apanhado no turbilhão numa situação de extrema fragilidade. O período de expansão económica global que ocorreu nos últimos 10 anos passou-nos totalmente ao lado e não deixámos de divergir face à média europeia, tendo já sido ultrapassados por alguns dos países de leste com quem concorremos na captação de investimento estrangeiro e caminhando assim alegremente para a cauda. Uma balança de transacções correntes em cerca de 10% do PIB e uma dívida externa que mais do que o duplica, ilustram uma situação de quase mendicidade. Não estando o seu sistema bancário exposto aos chamados “produtos tóxicos” do subprime, é no entanto responsável por uma grande parte da dívida externa, a que nada servirá a garantia do Estado se o risco-País aumentar por força de uma hipotética desagregação da união monetária. Teríamos então uma inflação estratosférica e uma queda abissal do nível de vida, com repercussões sociais alarmantes.

O acordar súbito para a realidade de quase toda a população, há vários anos “dopada” por doses maciças de propaganda governamental que promete diariamente o paraíso na terra, representaria um choque de dimensões imprevisíveis. Ressaltaria então a total incompetência da nossa classe dirigente para lidar com uma situação de catástrofe e, fruto do seu eterno e crescente intervencionismo no quotidiano de todos nós, a ela seria imputada toda a responsabilidade, com ou sem razão para tal. A instabilidade política redundaria rapidamente em crise de regime, a denotar desde há muito sinais de podridão. Uma sociedade civil abúlica por séculos de estatismo paternalista, estaria então de novo receptiva para a emergência de um caudilho.

(*) Artigo publicado inicialmente no semanário O Diabo em 21/10/2008

domingo, 5 de outubro de 2008

O Futuro do Aeroporto Sá Carneiro – Uma questão essencial nas autárquicas de 2009

As próximas eleições autárquicas ocorreram daqui a um ano. Da parte do PS, a provável candidata será a Prof. Dra. Elisa Ferreira, actual eurodeputada e antiga ministra dos governos de António Guterres. Como no PS nada é pacífico, compreende-se que até ao momento do anúncio formal da sua candidatura, a Dra. Elisa Ferreira seja parca nas suas intervenções.

No entanto, sempre que aparece, as suas intervenções já são claramente de campanha eleitoral, pelo que podemos assumir que será ela a candidata. E o que tem dito a Dra. Elisa Ferreira? Tomando como exemplo a entrevista ao jornal Público do passado dia 24 de Março, uma das ideias principais é que o Porto “tem vindo a perder dinâmica” e que “está particularmente debilitado”. Sendo inegável a perca de toda a região Norte, em relação a todas as outras regiões do País, convém recordar que não é um fenómeno que se confina aos últimos anos. É algo que tem razões estruturais, e que podemos encontrar o seu ponto de partida nos finais da década de oitenta e princípios da de noventa.

Mas nesta fase, mais importante é analisar soluções para o futuro. Nos últimos tempos, uma das soluções mais faladas prende-se com o futuro modelo de gestão do Aeroporto Francisco Sá Carneiro (ASC). É muito difícil encontrar algum tema que tenha gerado tanto consenso, entre várias entidades (públicas e privadas) e os cidadãos. O que está em causa é se a gestão do ASC deve ser autonomizada dos restantes aeroportos nacionais, permitindo que o enorme investimento efectuado nessa infra-estrutura (mais de 400 milhões de euros) possa ser efectivamente colocado ao serviço do desenvolvimento da região Norte. É notório que o actual governo discorda em absoluto da ideia de gestão autónoma do ASC. No entanto, como não o assume abertamente, o governo tem criado um conjunto de manobras dilatórias. A primeira, foi repto público lançado pelo Primeiro-Ministro, de que se houvesse alguma proposta credível, o Governo analisaria e tomaria uma decisão. O Primeiro-Ministro, convencido de que tudo não passaria de discurso sem conteúdo (ou seja, bluff) decidiu “elevar a aposta”. O problema é que apareceu uma proposta, liderada pelo Sonae, em parceria com a Soares da Costa e outros parceiros internacionais. Essa proposta, de uma entidade credível, deveria ser levada muito sério pelo Governo. Qual a resposta? A publicação de um “estudo”, realizado pela ANA, em que se pretende demonstrar que a gestão autónoma do ASC implicaria graves prejuízos para os utilizadores daquela infra-estrutura e seria economicamente inviável. Do que se conhece desse “estudo técnico”, via comunicação social, é que alguns dos principais argumentos são meras caricaturas. A principal é impor uma taxa de rentabilidade de 10%, para que o Estado pondere a sua privatização. Nenhum grande projecto nacional (aeroporto de Lisboa, TGV, auto-estradas) resistiria a esse teste. Mas a publicação de notícias periódicas sobre este “estudo”, revelam bem que o Governo não está de boa-fé em todo este processo.

Perante este quadro, qual a opinião da Dra. Elisa Ferreira? O que pensa a Dra. Elisa Ferreira, sobre a questão do ASC? Concorda com a Junta Metropolitana do Porto (JMP), a Associação Empresarial do Porto (AEP), a Associação Comercial do Porto (ACP), e muitas outras entidades, que querem uma gestão autónoma do ASC e ao serviço dos interesses da região Norte? Ou perfilha da opinião do Governo, que pretende manter a gestão de todos os aeroportos dentro da mesma empresa (ANA)? Não nos podemos esquecer que o novo aeroporto de Lisboa irá representar 90% da capacidade de investimento dessa empresa, pelo há o enorme risco e probabilidade de a gestão do ASC ser subjugada à rentabilização desse novo aeroporto. Sendo a Prof. Dra. Elisa Ferreira tão pródiga e cheia de convicções nos diagnósticos, deveria também o ser na defesa das políticas concretas do que considera melhor para o Porto.

Uma nota final, para os mais incautos. No próximo dia 8 de Outubro, a JMP e as associações empresarias irão realizar uma sessão pública sobre o ASC no Europarque. O PS, demonstrando que coloca os interesses partidários acima dos interesses regionais, anda com a ideia de ter no mesmo dia uma iniciativa, para promover um “amplo debate” sobre o mesmo tema. Ou seja, pretende dividir, para roubar impacto a esta iniciática, que considera hostil ao Governo. Uma sugestão: não seria mais útil para o Porto, e para toda a região Norte, unir esforços? E, já agora, a Prof. Elisa Ferreira irá estar presente no Europarque no próximo dia 8?


Luís Moreira Fernandes

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Jantar / Debate "O estado da Educação em Portugal"

Data: 9 de Outubro de 2008 (Quinta-Feira)
Hora: 20h15m
Local: restaurante SABOR LATINO ( Churrasqueira do Campo Lindo)

Agenda:
Tema do debate : O estado da Educação em Portugal
Orador Convidado: Dr. João Dias da Silva
  • Presidente da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE)
  • Presidente da UGT

20h - Jantar

21h - Introdução ao Debate - Engº Carlos Brito

21h15m - Intervenção do Dr. João Dias da Silva

22h - Debate

Duração do Debate -2horas.



Confirmações para o jantar até ao dia 7 de Outubro.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Jantar/Debate - Tema: "CULTURA"


No passado dia 1 de Julho de realizou-se um debate muito interessante sobre a Cutura e respectivas visões, onde participaram cerca de cinquenta companheiros, e que terminou com uma sessão de Fados de Coimbra, muito saudada por Todos.

INTERVENÇÕES

Carlos Brito

Abriu o debate, introduzindo a origem do termo “Cultura”, associado na época ao cultivo dos solos, como ainda hoje o termo é descrito no famoso Dicionário Larousse.

Passou depois a uma perspectiva política do termo, contrariando a ideia que a Cultura se associa a movimentos políticos de esquerda. “A Cultura não é pertença da esquerda! Não!”, acrescentando ainda que para alguns, interessa-lhes passar a ideia que “os Homens de direita não são sensíveis à cultura, como não são sensíveis à liberdade”. Classificou este pensamento viciado de preconceituoso e falso. “São estigmas que a esquerda criou na sociedade e que devemos combater!”

Terminou a intervenção, classificando “Cultura” como a resposta que cada grupo humano dá a cada desafio que se lhe apresenta e julgando a vida cultural como a base do desenvolvimento dos meios urbanos, fonte de atracção de investimento e de competitividade.

Maestro Ferreira Lobo
Identificou-se como natural de Chaves, para lembrar a interioridade dos Distritos distantes dos grandes centros urbanos de Lisboa e Porto, onde a Cultura, no seu entender, não chega.

Criticou a Política Cultural instituída pelo actual Governo Socialista, dirigida para restritos e específicos núcleos sociais. Acrescentou que a Cultura dirigida a pequenas “elites” se torna inútil, pois não corresponde ao seu desígnio que é proporcionar o desenvolvimento e a qualidade de vida das populações.

Falou da Orquestra do Norte, que dirige, e das três premissas que entende que devem estar associadas a qualquer entidade de produção cultural:

  • Função Económica – só realizável através de uma abertura generalizada à população, ao contrário do que actualmente acontece;

  • Função Educacional – recordou eventos de organização e participação da Orquestra do Norte dirigidos a públicos infantis e juvenis e ao meio académico, como são os “Concertos Promenade”;

  • Função Lazer – caracterizou de “muito interessantes” e “motivadoras”, as manifestações de interesse que os vários públicos, de diferentes faixas etárias e raízes sociais, demonstram pelo trabalho da Orquestra do Norte.

Realçou a importância das autarquias na promoção e divulgação cultural, mas identifica, também a este nível, muita falta de vontade política, com graves carências de responsabilidade, apesar de reconhecer melhorias pontuais na relação com os agentes culturais.

Jorge Trabuco
Criticou a “elitização” da Cultura também do ponto de vista de que a produz: “Os homens da Cultura julgam-se intelectualmente superiores, mas não são!”
Adianta, a exemplo, que a Casa da Música, “paga por todos nós” é um “palco de cultura de elites”. Reconhece, contudo, Serralves, como um espaço muito mais popular, aberto a todos que lá quiserem ir.
“Emociono-me a ouvir fado, sem que nunca que tenham ensinado a ouvi-lo”, concluiu.

Paulo Morais
Numa curta intervenção, questionou o Maestro e a plateia com a dicotomia música popular / música erudita, julgando que a este propósito, vence o preconceito, e que a diferença entre as duas reside exclusivamente no seu intérprete, de circunstância.

Moreira da Silva
Lamentou a falta de sensibilidade cultural dos “nossos governantes”, incluindo, Presidentes de Câmara, Vereadores, todos…
Enalteceu a música, “sublime” na sua história, e apelidou de “imbecis” os políticos que “correm com os melhores, os génios da música”, para homenagear o maestro e compositor italiano Ângelo Fasciolo, com quem privou no Coro da Lapa.

Luis Artur
Questionou também a dicotomia da chamada “Cultura Popular” e de uma Cultura chmada de mais “Erudita”.

Referiu-se ao financiamento público da cultura, e a forma de acesso a actos culturais dos cidadãos. Referiu e questionou o financiamento de uma determinada forma de estar, nomeadamente o de uma cultura sem público.

Referiu-se ao Rivoli, como um acto de coragem e de boa gestão dos dinheiros públicos, feita pelo Sr. Presidente da Câmara Municipal do Porto, e como um exemplo a seguir nesta matéria.

Por último fez um balanço dos primeiros cinco meses do Porto Laranja, dizendo que tem sido uma “Pedrada no Charco”, no debate político do PSD do Porto.

Referiu que as actividades iriam ser suspensas durante as férias e recomeçariam em Setembro.


Rui Oliveira
Criticou a actual política de subsídios para a Cultura, protagonizada e instituída pela ex-ministra socialista Pires de Lima que, no seu entender, defende as “suas capelinhas”.

Recordou também a sua experiência pessoal como membro do Coro da Lapa.

Isabel Pinho
Afirmou a disponibilidade do meio académico para ouvir diferentes estilos musicais. “Há tempo para tudo”, afirmou, para lembrar os estudantes do superior que frequentam, em simultâneo (!), as noites da queima e os concertos promenade.

Já em relação a gerações mais novas, lamentou os resultados da sua experiência como professora de música: “As crianças não de gostam de música, tanto quanto eu esperava”.



sexta-feira, 20 de junho de 2008

Jantar Debate "Que Social Democracia para o Século XXI, em Portugal e que posicionamento para o PSD?"

Este debate, mais uma vez bastante participado, foi aberto por Luis Artur, que lembrou os “tempos” de fundação do PSD, e desafiou os dois oradores e os restantes participantes a posicionarem os valores do que deve ser a Social Democracia e o PSD neste século, tendo em o Reformismo.

Carlos Brito

Que Social-democracia para o Século XXI?

Desde logo uma reserva. Ninguém nesta sala certamente vai estar vivo no fim do século. Ninguém vive no longo prazo, dizia Keynes. E, no entanto, interrogamo-nos aqui e agora qual a social-democracia adequada para todo um século.


Acreditamos que estamos, neste tempo que passa, a decidir o que vai ser 2050 e a preparar o que vai ser 2100. A lembrar uma passagem do Talmud: “não se é judeu porque o seu pai o é ou sua mãe o é, mas porque os seus filhos o serão”.


Também acreditamos que as forças do mercado assumiram a liderança do planeta.
E o que farão estas forças do mercado? Destruirão os estados? Criarão a fortuna e a miséria? Hipotecarão a natureza? Privatizarão as forças armadas, a polícia, e a justiça? O Homem tornar-se-á um artefacto e desaparecerá por isso?
Mas, se a globalização for interrompida com violência e subitamente, recriar-se-á uma sucessão de barbáries e de batalhas devastadoras, utilizando-se armas impensáveis? Estados, grupos religiosos, entidades terroristas e piratas privados envolver-se-ão num conflito final e o Homem desaparecerá?


E não será possível conter a globalização sem a recusar, circunscrever o mercado sem o abolir, instituir a democracia em todo planeta sem a desvirtuar, acabar com o domínio de um império sobre o resto do mundo? E ver surgir um novo horizonte de liberdade, responsabilidade, dignidade, superação e respeito pelo outro?
Como fazer? Não será a social-democracia a metodologia adequada e necessária para este desiderato tão difícil, quase impossível?
Lembremo-nos de que só vale a pena tentar o impossível.
Em especial, neste tempo que passa, numa crise global com sintomas simultâneos financeiros, económicos, monetários, alimentares, energéticos e ecológicos. Crise de que não se conhece a amplitude e que faz perpassar por nós os espectros da depressão de 1929,do choque petrolífero de 1973 ou dos limites de crescimento do Clube de Roma. Crise que gera juízos pessimistas de ruptura total da sociedade, de capitalismo em vias de desaparição, de auto-destruição do sistema actual e do seu funcionamento.


Não será de lembrar Edmond Burke que dizia que, quando via os amigos todos do mesmo lado da embarcação, se colocava do outro lado para a não deixar adornar, tentando equilibrá-la?
Esta embarcação onde viajamos no espaço, a Terra, adorna por vezes face a fanatismos adoptados, autênticas religiões imanentes, a substituírem as transcendentes. Divinizamos facilmente aquilo que nos parece ser a solução de todos os nossos males e a promessa de abundância sem limites. Ontem, o divino Estado; hoje, o divino mercado. E nem um nem outro foram capazes das nossas esperanças. E nem um nem outro deixaram de ter perversões fatais. Quiçá não evitaram minimamente a desadaptação a novas circunstâncias, o seu anacronismo e a sua obsolescência.


Mas a palavra crise é representada em chinês por dois símbolos: ameaça e oportunidade A ameaça já a configurámos. Falta a oportunidade. Voltemos à nossa crença inicial: as forças de mercado assumiram a liderança do planeta.
Tudo nasce de uma antiga convicção religiosa: os homens podem ser salvos também pelos seus vícios (inveja e ganância, por exemplo), uma vez que esses vícios contribuam para o bem comum. Vícios privados fazem a virtude pública. Rapidamente se passou dos limites das religiões transcendentais, os mandamentos – não matarás – para novos mandamentos de incitamento – deves dar largas ao teu prazer, deves realizar as tuas paixões privadas. O mercado assume-se como divino: pretende ser omnipotente – satisfaz todos os prazeres, todas as paixões – e apresenta-se como o lugar da verdade. E, no entanto, a sua alegada capacidade de produção infinita de riqueza começa a ser contraposta pela economia do vivo, a Terra é finita e as reservas naturais são limitadas. As actuais crises aí estão a demonstrá-lo. A fazer descer das nuvens do virtual, do especulativo, lato senso, para a realidade. A lembrar os frades da Idade Média: pés na Terra e cabeça no Céu.


O que é interessante referir é que o celebrado Maio de 68 com os seus slogans, “é proibido proibir”, “gozem sem barreiras” e “realizai os vossos desejos” querendo destruir o velho capitalismo acabou por fundamentar a ideologia do anarco-capitalismo ultraliberal. As partidas que a História faz aos homens: os resultados foram exactamente os contrários aos objectivos visados.
Não está em causa que o mercado seja um modo de troca entre os homens, instituído desde os princípios dos tempos, mas não pode divinizar-se, tornando tudo objecto de mercado e criando o hiperconsumo como doutrina. É preciso estabelecer os seus limites, seja na produção de riqueza, pois os recursos são finitos, seja na satisfação de todos os interesses privados. O mercado não pode esmagar as outra “economias”, a simbólica, a psíquica, a política, a semiótica.
Vamos candidamente acreditar na auto-regeneração? Ou preferiremos encontrar quem se lhe vai opor, o seu contrário?
Não será o Estado republicano, naquela relação de amor e ódio que constitui o binómio Estado/mercado?
Ambos em ciclos de crise e de pujança, causados por esta relação, que vão mostrando as respectivas fragilidades. O mercado em 1929, a planificação centralizada na queda do muro de Berlim.
Mais recentemente, o Estado moderno entrou em crise. A progressiva debilitação económica, os altos níveis de desemprego, as cargas fiscais elevadas, os impostos sobre o consumo, particularmente agressivos para rendimentos médios e baixos, o esvaziamento de poderes de intervenção macroeconómica, a competição comercial cada vez mais forte, o esgotamento das soluções keynesianas, o colapso do modelo social-democrata de Bad Godsberg. Que lista!
O Estado já não tem o papel representativo e a função operacional pela via da administração que teve no seu apogeu. O Estado já não pode ser, a um tempo, redistribuidor, regulador, desenvolvimentista e estratega, mas a competitividade de um país não se mede só pela redução das despesas públicas. A estabilidade das instituições, a qualidade das infra estruturas, as políticas de saúde e de educação, as despesas com investigação e desenvolvimento em paralelo com o custo do trabalho e a flexibilidade constituem factores decisivos para aquela competitividade. Aliás, o retorno dos poderes públicos ultrapassa o quadro da economia. O ambiente, a água e a saúde tornaram-se “bens públicos mundiais”, que não podem ser deixados somente às forças do mercado.
Surge agora uma visão de Estado garantidor, activador e regulador. É nela que se pode alicerçar a procura de um novo equilíbrio Estado/mercado, num processo recorrente.
Das tarefas do Estado de combate à doença, à ignorância, à necessidade, à miséria e à ociosidade, de Beveridge, à promoção da saúde activa, à possibilidade de acesso todos aos mais altos níveis de educação, à promoção da autonomia e da responsabilidade, à prosperidade para todos, ao apoio às iniciativas, de Anthony Giddens. Sem embargo de manter princípios de solidariedade: níveis elevados de descontos, protecção social robusta, de base universal, com discriminação positiva para os mais desfavorecidos, e preocupação de limitação das desigualdades.
Chegados aqui, lembremos Jorge Semprún. Para além do reformismo político é preciso realizar o reformismo económico, o que quer dizer, “ a assunção do mercado tanto nos seus aspectos positivos como negativos: aproveitar as vantagens e atenuar os inconvenientes, sendo certo que o “económico” é a condição sine qua non do “social”.
Que bela apresentação da Social-Democracia!
Partindo dos valores de liberdade, justiça e solidariedade e da sua imprescindível e íntima conexão, a social-democracia constitui mais uma metodologia do que uma ideologia. Ainda que a ideologia ofereça um quadro de compreensão, uma mediação entre a ideia e a política, uma vulgata da filosofia, tem alguma dificuldade em funcionar. É esta a causa principal do divórcio entre os cidadãos e a política. Reconheçamos a social-democracia como uma metodologia de procura incessante e permanente de equilíbrios entre liberalismo e socialismo, entre mercado e Estado, assumindo as contradições e rejeitando os extremismos. Oscilando subtilmente entre mais Estado e menos mercado e menos Estado e mais mercado. Sobretudo, contrapondo-se ao actual individualismo igualitário e ao não menos actual politicamente correcto, que poderão por em causa as sociedades livres.
Reconhece o erro do liberalismo de supor que liberdade e justiça podem ser criadas e defendidas na sociedade de gritante desigualdade e de luta de todos contra todos, sem uma solidariedade abrangendo toda a sociedade. Reconhece o erro do conservadorismo, que pensa poder existir solidariedade verdadeira entre ricos e pobres, poderosos e impotentes, sabedores e tutelados e que se pode assegurar a liberdade económica, social e cultural a uma minoria.
Reconhece o erro dos românticos autoritários crerem que uma ordem livre e justa seria possível, sem o reconhecimento consciente e penhorante de deveres sociais e da solidariedade e só o resultado necessário da liberdade individual ilimitada.
Reconhece o erro dos movimentos comunistas marxistas-leninistas que crêem numa igualdade sem liberdade e que a solidariedade pode ser imposta.
Reconhece o erro do fascismo que crê ser possível criar uma comunidade nacional solidária com base na desigualdade de princípio entre os homens e sem a liberdade de cada um.
Alinhei ideias e reflexões, trouxe provocações, respiguei textos, para um debate que se seguirá e, esse sim, será verdadeiramente enriquecedor. Mas não gostaria de acabar sem trazer a poesia até nós. Um poema de Lord Byron traduzido

“Ai de nós! Tudo é ilusão:
O futuro engana-nos de longe,
Não podemos ser aquilo que recordamos,
Nem ousar ver-nos como somos.”

Porto, Maio de 2008

Fernando Bravo

(Resumo da intervenção, texto integral a ser publicado oportunamente).

Destacou na sua apresentação as linhas ideológicas presentes na fundação do Partido Social Democrata em 6 de Maio de 1974, por Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão e Joaquim Magalhães Mota sob o nome Partido Popular Democrático: Católica/Social, Social/Liberal e Tecnocratica/Social.


Recordou que a primeira divisão interna no Partido deu-se a 8 de Maio de 1974, logo 2 dias após a fundação, quando Sá Carneiro apresentou as linhas programáticas a Barbosa de Melo, consideradas por este “liberais” e não “social-democratas” como seriam, para si, suposto serem. Confrontava-se então uma perspectiva da economia ao serviço dos homens com outra bastante mais estatizada. Perdeu então o denominado “social-liberalismo” para uma linha mais “social-democrata”, sem dúvida mais próxima do marxismo. Fernando Bravo recordou a liderança de Emídio Guerreiro como o período em que o PSD se posiciona mais à esquerda no espectro político português.
Sá Carneiro regressaria então para vencer as legislativas de 1979 em coligação com o CDS e o PPM. Viveu-se então um clima de maior estabilidade, desenvolvimento e autoridade.
Recordou a participação no governo do Bloco Central, PSD e PS, e considerou-a o início do período menos ideológico do Partido.
Caracterizou os governos de Cavaco Silva pela autoridade e liberalização económica.
Referiu-se aos períodos de novas coligações eleitorais protagonizadas pelas lideranças de Marcelo Rebelo de Sousa e Durão Barroso.
Revela sentir hoje o PSD mais pragmático que ideológico, mais preocupado em recuperar o poder do que em respeitar a ideologia que o fundou.
Entende que futuro do Partido Social Democrata deverá assentar em 3 linhas fundamentais: liberdade, igualdade e democracia plena (com limitação de mandatos e rotação do poder).
Defende o retorno do cariz reformista como base de planeamento da execução do poder, através de reformas parcelares que permitam a melhoria da organização sem a pôr em causa. “Algum conservadorismo protege o presente”, acrescenta.
Os objectivos do estado devem, no seu entender, passar por promover a capacidade de realização individual de cada um, alcançando os anseios, desígnios e a felicidade, por assegurar a dignidade da pessoa humana, aliviando o seu sofrimento e por assegurar a igualdade de oportunidades “à partida”.
Defende, em suma, um Estado regulador, interventor e reformista da sociedade… “tão pequeno quanto possível, tão grande quanto necessário”.


Paulo Morais

Citou Sá Caneiro para defender um modelo de “menos estado, melhor estado”, que, na sua opinião, deve ser bandeira prioritária e assumida pelo Partido Social Democrata na actualidade.
Fez um sumário do que lhe realça a actuação do Governo Socialista, com enfoque para a propaganda. O próprio estilo de liderança antipática e arrogante adoptado pelo Eng. José Sócrates, típico dos políticos “de direita”, fá-lo parecer competente, mesmo sem o ser, realçou.

António Tavares

Lamentou que do Partido Social Democrata tenha há muito tempo “esquecido” a matriz reformista presente na sua fundação e que esta tenha sido oportunamente adoptada pelo Partido Socialista. Recordou ainda que as vontades expressas do PSD em alterar a actual Constituição não são novas mas, pelo contrário, constituem um objectivo sempre presente na história do Partido, direcção após direcção.
Realçou a necessidade do PSD definir uma orientação política claramente distinta do Partido Socialista e que esta seja bem perceptível pelos Portugueses. Questiona: Qual o modelo de financiamento que o PSD defende para a Saúde e para a Educação? Que Política Fiscal defende o PSD? Como orientação estratégica, defende uma Economia de Mercado ou uma Sociedade de Mercado?

Luís Rocha

Denota uma clivagem grande entre o Partido Social Democrata e os Portugueses, mesmo com aqueles que potencialmente são seus votantes.
Destaca como virtude do PSD, o interclassismo que sempre o caracterizou e que, no seu entender, não se pode perder, mas realça as diferenças de opinião que daí advêm, em concreto o confronto entre sensibilidades estatistas (ou elitistas) dominantes nos meios urbanos e as sensibilidades anti-estatistas (ou basistas) mais presentes nos meios rurais.
Do seu ponto de vista o problema da clivagem no Partido deve-se à crise de liderança que o afecta desde 1995 e só será ultrapassado com a eleição de um líder forte, à imagem do que foram Francisco Sá Carneiro e Aníbal Cavaco Silva, acrescenta.

Luís Proença

Sublinhou o pragmatismo que, no seu entender, domina a actuação política do Partido Social Democrata na actualidade, em desfavor da ideologia ou ideologias presentes na sua fundação. Defende que um PSD mais “popular” junto da sua base de militantes significa um PSD mais apreciado pelos Portugueses.
Destacou a ambiguidade dos conceitos Direita e Esquerda no presente e reclamou a necessidade do PSD encontrar soluções rápidas e capazes de orientar Portugal no caminho do crescimento económico. Criticou a Política Económica do Partido Socialista, nomeadamente a obsessão estatista e centralista pela redução do défice orçamental, em desfavor das condições de vida da população e das empresas, sobrecarregadas de contribuições fiscais.

Luis Artur

Defendeu que o espaço político do PSD é o da construção de uma social democracia portuguesa. Lembrou uma afirmação de Francisco Sá Carneiro : “ Não somos rurais, nem somos urbanos, não somos socialistas, nem somos liberais, somos todos sociais democratas”, para expressar que o PSD sempre soube ser um partido diferente, de forte adesão popular, interclassista e que sempre soube interpretar as mais fortes convicções do povo. Afirmou que o PSD, nunca foi um partido trabalhista, mas sempre foi um partido de trabalhadores, e simultâneamente de empresários, profissionais liberais, comerciantes, industriais e por isso sempre foi mais fácil o diálogo social com o PSD.
Luis Artur, diz que uma das mais fortes vertentes do PSD, é a sua matriz social, e está contra certos aprofundamentos de natureza liberal, manifestando-se no entanto aberto a que o PSD junte aos seus valores históricos sociais democratas, novos valores geracionais, ambientais, sendo o mais forte o direito à felicidade, aprofundando a sua vertente reformista, lembrando a propósito a velha formulação do pai da social democracia europeia “ A própria essência da modernidade é o movimento mais a incerteza”.


Luis Fernandes

Defendeu uma visão mais liberal para o PSD, nomeadamente em termos económicos, defendendendo uma menor intervenção do Estado, que se deve limitar às chamadas funções clássicas de soberania.
Defendeu um PSD inconformista e reformista, na defesa de políticas personalistas, e que conduzam ao valor mais alto, o da Felicidade, do individuo.

Moreira Silva
Disse que o PSD tem que voltar a ser um partido reformista, e que preferia abordar as eleições para a liderança do PSD.
Defendeu fortemente a candidatura de Pedro Passos Coelho, como uma candidatura arejada, de ideias novas, geracional e que era a única que poderia levar o PSD à vitória, nas próximas eleições legislativas.

Jantar Debate - TEMA: Cultura

Data: 1 de Junho de 2008 (Terça-Feira

Hora: 20h15m

Local: restaurante SABOR LATINO ( Churrasqueira do Campo Lindo),

Agenda:

Tema do debate : Cultura
Uma Visão popular? Valor de um povo? Uma visão Erudita? Uma visão Económica? Património? Visão de esquerda? Visão de direita? Etc.

Duração do debate 2 horas;


Às 23H 15 M - Silêncio, que se vai cantar o Fado. Actuação (Surpresa) de um grupo académico, que cantarão alguns de Fados de Coimbra.


Prêço do Jantar – 10 Euros.


Temos que ter as confirmações para o jantar até ao dia 27 de Junho.


Um abraço
Luis Artur